sexta-feira, 15 de abril de 2011

Urbanismo: Questão deixada de lado no Brasil - II

Boa noite pessoal! Bom.. hoje gostaria de focar novamente no urbanismo. Pode parecer até um assunto chato para alguns, mas creio que todo mundo goste de andar numa cidade limpa, bem cuidada e que inspira riqueza e desenvolvimento. A gente meio q cria um olhar inconsciente para reparar essas coisas se baseando, sem sequer perceber, nas características urbanísticas do local. E mais do que isso, bom urbanismo é qualidade de vida e planejamento, é poder estacionar o carro sem tanta dificuldade ou mesmo ficar bem menos horas no transito, contar com um serviços de transportes eficiência e sem atrasos, enfim... se nós já dependemos tanto de uma organização nas nossas cidades, que dirá alguém que seja deficiente, e é dessa questão que gostaria de tratar. Estive andando na Rua da Assembléia no centro do Rio de Janeiro. Uma rua que poderia até se considerar acima da média.. fiação aterrada, prédios comerciais suntuosos, comercio de rua que inclui até um café, tipo de comércio ainda pouco difundido pelo Brasil.. mas no final percebi que ainda está muito aquém do que deveria, principalmente quando se fala nas calçadas. É muita precariedade, é absurdo...

Andei cerca de três quarteirões, desde a estação carioca ao paço imperial. Fico imaginando um cadeirante TENTANDO andar nas calçadas daquela rua que além de sujas, são apertadas pelo enorme número de pedestres, e o pior.. totalmente irregulares. Buracos por entre as pedras portuguesas em toda a parte, poças, um bueiro sem tampa no meio de calçada, sendo colocados galhos e uma caixa de papelão para as pessoas verem e desviarem. Portanto, você tem que pular buracos, bueiros e só pra apimentar ainda leva uma pequena ducha das várias caixas de ar condicionado que pingam dos escritórios comerciais do alto dos prédios ( kkkk eles devem estar querendo amenizar o nosso calor com uma aguínha ). Assim, falando bem francamente... o cadeirante simplismente não passa, fica muito complicado.... é um direito que lhe foi vetado pelo descaso em relação ao urbanismo no nosso país.

E ele não é a una vítima, um cego ali também passaria por maus bocados. A rua finge que tem calçadas especiais de borracha para cegos, como essa da foto no final da postagem, mas sua direção é tão burra e louca que no Brasil as vezes eu acho que colocam asnos e mulas literalmente para planejar as nossas cidades. E por que? Por que a primeira faixa começa no meio do nada na rua, começa se o cego surgisse ali num passe de mágica... anda alguns metros, passa por uma esquina onde no meio da faixa de borracha existe, acredite, um BURACO ( !! ) É, coitado do cego, parece que fizeram de sacanagem só pra ele cair ali. A faixa continua por mais alguns metros e acaba na parede de um prédio, literamente... dando a impressão de que é feito de propósito pro cego bater na parede.. ( Seria cômico de não fosse trágico ).. andando um pouco mais,  já na esquina com a rua primeiro de março, o caminho de borracha recomeça misteriosamente a partir do um vaso de plantas - o cego vai nascer na árvore e começar a andar dali pra frente, só pode - e vai indo em direção ao sinal da esquina fazendo uma bifurcação: "Que beleza, até em bifurcação para dois lados diferentes eles pensaram, o cego pode até escolher pra que direção ir!" Doce ilusão, pois depois de dar a curva a faixa simplismente acaba para ambos os lados e uma das partes nem chega a levar ao semáforo, termina antes com pedras portuguesas colocadas no local da sua continuação!

Maravilhoso, quanta preocupação com a qualidade de vida do pedestre, do cidadão... e isso tudo no centro financeiro da segunda cidade mais rica do país! Fico impressionado... E a prefeitura parece que nada faz.

É isso pessoal, ainda tem outras questões interessantes que gostaria de dividir com vcs, mas vou deixar para a parte III que pretendo postar em breve.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ditado pelo interesse

Muito se vem falando sobre as revoltas que se seguem no Mundo Árabe, revoltas essas que mobilizam cada vez mais grupos da sociedade e estão desestruturando os regimes totalitários na região. Essa realidade é antiga, afinal só ouvimos falar em ditadores que estão a 20, 30 e até 40 anos no poder como é o caso de Muammar al-Gaddafi, na Líbia. Digamos que algum tipo de intervenção estrangeira na atual guerra civil em que se encontra o estado líbio atual não é errada, porém é preciso analizar bem de que modo fazer isso. Díficil precisar o quão útil está sendo a atual operação de países como os EUA, Reino Unido e França, que dominaram o espaço aéreo do país lançando bombas para enfraquecer o exército de Gaddafi... este, por sua vez até então havia bombardeado diversas cidades para conter os rebeldes, matando milhares de civis. É hilário ver hoje o ditador chamando a comunidade internacional de nazista, sendo que nem Hitler lançava bombas contra o seu próprio povo.. Gaddafi conseguiu o incrivel feito de ser mais cruel que um nazi. 

Mas infelizmente... ele não é o único contraditório nessa história. Por que as nações do ocidente aceitaram e até apoiaram por tanto tempo ditaduras no mundo árabe e nada fizeram? E agora, com o discurso de proteger os civis líbios, invade como se tivesse sempre defendido a democracia e a liberdade. Não defendia.... pelo menos não para esses países. Os americanos são aliados de vários governos anti democráticos, como o governo de Iemen, Bahrein, Arabia Saudita e Egito, já derrubado.. não só os americanos como outros países que se dizem exemplos de democracia. Silvio Berlusconi da Itália até pouco tempo era muito amigo do Gaddafi, Israel que se diz o país de liberdade no Oriente Médio, chora amargurada a queda desses regimes totalitários; Lula recentemente, já depois de deixar a presidância, fez um discurso em um congresso da TV Jazeera, do Catar - um país movido a petrodólares governado por um rei a quase 16 anos no poder - falando bem da democracia e da sua importância, logo após chamar o rei do país de "meu amigo".. Lula era também fiel "companheiro" de Hugo Chavez e do próprio ditador líbio. 

Contraditório, não? O mundo ocidental não fez vista grossa para um modelo de governo de considera inapropriado ( como se espera ).. e sim deu-lhe apoio, suporte, para assim ter os seus interesses garantidos. Repetindo.. já que assim foi, por que intervir tão tardiamente? Parece um grande exemplo de solidariedade invadir o espaço aéreo libio para proteger seus cidadãos, mas temos que nos lembrar que Gaddafi não era mais alinhado aos interesses internacionais e sua derrubada era desejada... se a mesma atitude de um ditador de atacar civis fosse tomada num país "alinhado", fica a dúvida se a posição do resto do mundo seria a mesma. Deveria ser... afinal um massacre nunca deve ser bem visto, mas sabemos o quanto a mídia é manipulável... Em vários outros países árabes hoje o povo já está sendo contido na força bruta, inclusive na morte, mas a imprensa não dá tanto destaque e apresenta os fatos de um modo bem menos crítico. O mundo continua mergulhado na grande contradição entre a força da ideologia e dos interesses econômicos.. todos sabemos que é o segundo que prevalece, mas parece que a propaganda para o primeiro continua forte. Seria hora de finalmente uma posição compreensível e sem ambiguidade para podermos entender qual é a real posição de um país que dá plena liberdade a seus cidadãos.. o que é admirável, mas apóia que outro país subjulgue e reprima seu povo, o que é totalmente deplorável.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Urbanismo: Questão deixada de lado no Brasil - I

O que é exatamente urbanismo? A definição do wikipédia é a seguinte: "Urbanismo é a disciplina e a atividade relacionadas com o estudo, regulação, controle e planejamento da cidade (em seu sentido mais amplo) e da urbanização."

Quando se fala na qualidade de vida de uma cidade, não se pode falar apenas de aspectos que passam paralelos como nível de renda, estudo e etc. É preciso também se falar em planejamento urbano, em todas as suas instâncias. Seja ela no zoneamento das ruas, seja na arborização e  limpeza das vias, infra estrutura, na regulamentação de obras que não agridam a paisagem e não comprometam a infra estrutura local, além de tentar estimular projetos arquitetônicos mais arrojados, que enriqueçam a cidade. No Brasil, essa idéia ainda é um tanto vaga e pouco difundida, mas está inconscientemente na cabeça das pessoas. Quando você vai a um bairro mal urbanizado, sujo, você imediatamente tende a se sentir desconfortável, aquela visão inicial é extremamente desagradável... claro que com o tempo as pessoas vão se adaptando e se familiarizando com o espaço e a partir daí, passam a notar novos aspectos e peculiaridades locais que uma visão de "turista" não consegue captar, mas esse debate é melhor deixar com o Yi-Fu Tuan hehehe...

Felizmente no Brasil existem algumas cidades planejadas como Curitiba ou Maringá que são, teoricamente, exemplos a serem seguidos no Brasil... . Ambas têm o traçado planejado e são fartas em parques e áreas verdes, mas nem essas duas conseguiram chegar ao que se vê em muitos lugares fora do Brasil, embora sejam bastante acima da média do nosso país... primeira qualidade urbana no Brasil se limita a ruas ou no máximo em raríssimos bairros como Copacabana, mas nunca a uma cidade inteira. Urbanismo é também transporte eficiente, asfalto, calçadas bem conversadas e padronizadas e até aterramento de fiação dos postes. Pra exemplificar, peguei uma foto de duas avenidas próximas em nível de renda - renda média alta - no Rio de Janeiro, porém em uma delas a fiação é aterrada e na segunda não:

                                Av. N. S. de Copacabana

                                Rua São Clemente - Botafogo

Então, qual é a mais agradável? Acho que 99% das pessoas vão achar a primeira, não só pela ausência de fiação elétrica, mas também pela qualidade das calçadas. Na Av. N. S. de Copacabana elas são largas e homogêneas, já na rua São Clemente a calçada é apertada e variada - vai mudando de prédio para prédio - o que pode parecer bem menos agradável visualmente. Infelizmente mais que 90% das ruas no Brasil estão muito mais para a segunda rua ou bem pior do que para a primeira. Agora olhem a rua Voluntários da Pátria, no mesmo bairro de Botafogo, esta já passou por obras do programa Rio Cidade, foi totalmente remodelada e modernizada:


Então, sem comparação, não é mesmo? Embora discutir urbanismo seja muito mais do que falar de postes. Ainda gostaria entrar na questão Brasil x Exterior, que é o lado que ainda me deixa mais decepcionado, além de muitas outras questões que eu considero que fazem muita diferença em uma cidade. Fica para a parte II que postarei em breve!

quinta-feira, 10 de março de 2011

A pobreza nos países desenvolvidos

Miséria todos nós sabemos o que é, é aquele nível de vida onde não há dinheiro sequer para se ter uma casa e a pessoa mal tem condições de se alimentar, é aquilo que julgamos pobreza extrema e é a situação que deve ser combatida com mais vontade pelos governos ao redor do Mundo. Mas e pobreza? Você, como brasileiro, pode dizer que pobreza é morar numa comunidade, em um "casebre" com um ou dois cômodos, com alguns móveis e eletrodomésticos.. mas a pobreza é bem mais relativa que a miséria. Ser "pobre" varia de país para país e isso também influencia nas estatísticas. Nos EUA, por exemplo, existe uma linha de pobreza específica, onde se encontra em torno de 12% dos norte americanos. No Brasil, a linha de pobreza é definida por outros critérios levando em conta a realidade brasileira ( apesar de existir também um padrão considerado pela ONU ), e considera-se que cerca de 30% dos brasileiros estão abaixo da linha de pobreza... há quem diga que se mesmo o padrão de pobreza usado nos EUA fosse usado no Brasil, cerca de 75% dos brasileiros seriam considerados "pobres", mas se este dado procede ou não, eu não sei dizer.

De qualquer forma, existem pessoas marginalizadas e bairro degradados e violentos na maioria dos países ricos, a única diferença é que estes não são tão numerosos e a miséria mesmo encontra-se em níveis bastante baixos e o governo costuma dar algum tipo de apoio a esta camada social... portanto, programas de transferência de renda como o bolsa família não são exclusividade do Brasil e, na minha concepção, são validos para o grupo que é atendido, se realmente os beneficiados forem pessoas que passam fome e sem quaisquer perspectiva. Voltando ao assunto anterior, existem bairros pobres e degradados nos países ricos - nos países pobres e emergentes seriam considerados bairros ruins, mas por lá são de fato, os piores e mais degradados - que também são esquecidos pelas autoridades e da mesma forma sofrem com carência de serviços públicos, desvalorização imobiliária e marginalidade. 

Gostaria de exemplificar com a cidade mais pobre dos Estados Unidos. Chama-se Camden e fica no estado de Nova Jersey. Segundo o site city-data.com, sua população atual é de 78 mil habitantes, e a renda média por pessoa por ano é de US$ 12.808, ou US$ 1.067 por mês. Levando em conta o custo de vida nos EUA e renda média dos americanos, a cidade é considerada muito pobre. Outro dado curioso é que 45% da população da cidade é afro-americana e 43,6% é considerada hispânica ( descendentes de mexicanos, porto-riquenhos e outro latinos em geral )... só 5,3% da população da cidade é branca, demonstrando que a desigualdade racial ainda se apresenta de forma considerável na sociedade norte-americana. Sem mais delongas, apresento-lhes Camden, NJ:

O pequeno centro da cidade é bem urbanizado e arrumado em sua maior parte, sendo parecido com o downtown de qualquer cidade comum nos EUA:




Mas é só afastar do centro em um ou dois quarteirões que o nível de vida muito baixo e a decadência começam a aparecer:




É isso, diria que viver assim nos EUA equivale a morar na favela da Maré ( RJ ) ou em Heliópolis ( SP ), no Brasil. O conceito de pobreza, sem dúvida, é diferente... mas as deficiências, a decadência, abandono e a criminalidade estão presentes em ambos os locais. A diferença é que os respectivos bairros no primeiro mundo são mais ricos... ou melhor, menos pobres; não é a toa que são ficam em países ricos.

Água, Combustível do Mundo

Pessoal, desculpe pela demora a atualizar o blog, é que com todos os feriados acabei me desligando um pouco das questões abordadas aqui, mas prometo retornar a postar com freqüência. 

O tema "água" e como trata-lá e resguardá-la vem ganhando cada vez mais uma importância nas discussões relativas a preservação, novos modos de vida, reaproveitamento e economia. O fato é que, hoje vemos o maior bem da Terra com uma importância maior do que sempre se viu, sua abundância tão incomensurável sempre fez com que pensássemos que a agua nunca acabaria ou deixaria de nos servir como sempre servira. Atualmente, numa evolução desse pensamento, já falamos em racionamento, em evitar desperdícios e até em reutilização e dessanilização. Sim, esta ultima faz todo o sentido né, é um processo que retira o sal e outras minerais da água do mar e transforma essa água em potável. Não poderia ser mais genial, pois segundo o Atlas National Geographic cerca de 97,5%  de toda água do mundo está nos oceanos, é salgada ( indisponível para consumo humano ). Países secos e desérticos, com recursos econômicos razoáveis ( pois o mecanismo ainda é caro ) como Israel já adotam esse processo para prover H2O limpa a sua população. 

Já o processo de reutilização é milenar, afinal quando se capta água da chuva para consumo próprio, se está reaproveitando uma água que já completou todo o ciclo de evaporação e precipitação, garantindo o sustento através da agricultura e a sobrevivência de populações ao redor do Mundo por séculos, mas este processo hoje ganha uma característica ainda mais refinada... Foram desenvolvidos processos de purificação da água super modernos, que podem fazer aquela inunda da sua privada se transformar naquela límpida que saí do seu filtro kkkkkk Apesar do tom de brincadeira e de parecer nojento, isso pode se tornar cada vez mais comum... mas não se preocupe tanto se você mora no Brasil, afinal ainda temos a maior reserva de água doce do Mundo. De qualquer forma, é bom termos consciência de que os tempos são outros e não dá mais para poluir rios e lagos, além de aquíferos, grandes reservas subterrâneas de água doce que fazem brotar rios e tornam possíveis poços artesianos na superfície.. Esta é a forma de abastecimento mais barata que o ser humano pode possuir, além de garantir a manutenção da biodiversidade e a estabilidade do clima, pois como se sabe, é a quantidade de água na superfície que define a quantidade de evaporação, chuvas e assim por diante.

Mas.. voltando aos métodos modernos de reutilização da água, uma vez assisti a um documentário no Nat Geo que falava justamente dos planos da NASA em criar uma base permanente na Lua ( coisa pra daqui a 10 ou 15 anos ), e como faria para garantir que uma pessoa sobreviva lá; o projeto prevê reaproveitar 90% da água utilizada, dando-lhe diversas funções, desde seu uso na cozinha, até a higiene pessoal. Novamente.. estranho não? Mas se não for utilizada uma refinidada tecnologia de purificação da água, os custos se tornariam mais exorbitantes numa ainda utópica vida na Lua. Voltando ao nosso Planeta, é interessante destacar também que - novamente segundo a National Geographic - 69% da água utilizada pelo homem se dá em processos agrícolas... outra questão que devemos levar em conta se quisermos reduzir o desperdício, começar pelo campo, mas como? É meio impossível diminuir o consumo de água sem reduzir a produção ou piorá-la, então nada mais justo que se dê um freio na super população da Terra e no consumo, que só tende a aumentar. Pode parecer uma visão exagerada, mas já existe uma população suficiente no planeta e problemas socio econômicos também suficientes; um controle de natalidade seria bem visto ou pelo menos uma política de convencimento a se ter menos filhos nos países mais pobres e com problemas em relação a água; a pobreza e a fome estão intimamente ligadas a seca, são duas questões complementares que agravadas pela desigualdade social e ausência de investimentos, se transformam em algo muito díficil de se solucionar. 

A água é o fator condicional para manter a vida, humana ou animal, em qualquer parte do Mundo, além de ser um diferencial econômico muito importante para qualquer país... ninguém quer depender do outro para ter esse bem tão precioso, todos querem garantir suas próprias reservas. Para que não hajam conflitos maiores em relação a isso temos que aliar melhor distribuição com infra estrutura, novas tecnologias de reutilização, economia ( parar de ficar lavando o carro por meia hora com a mangueira ligada ), dessanilização ( para países desérticos ou semi desérticos ), além de medidas de despoluição de rios e lagos e tratamento de esgoto nas cidades/campo e até controle populacional. Com todas essas medidas, ainda teríamos água para milhões de anos sem nos preocuparmos e a biodiversidade do planeta agradeceria.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Angola - O Tigre Africano?

Algum tempo atrás saiu uma notícia afirmando que Angola, um país africano arrasado pela fome e guerra até 9 anos atrás tinha sído praticamente o recordista em crescimento econômico na última década; a economia do país teria crescido acima dos 10% ao ano. Até 2002, Angola vivia uma complicada guerra civil que ocorria praticamente desde a independência do país de Portugal, em 1975.

Comum em países africanos, várias tribos inimigas disputavam o poder em um território composto por várias etnias diferentes... nessa época, a maioria dos portugueses já haviam abandonado a ex-colônia. Com o fim de guerra civil, que deixou pelo interior da nação varias minas terrestres que fazem vitimas até hoje, abriu-se caminho para o investimento estrangeiro, Angola é muito rica em petróleo. Estados Unidos, Portugal, Brasil e principalmente a China, viram no país uma possibilidade de investimento muito lucrativo... São construídos novos prédios comerciais, condomínios e mais condomínios fechados para abrigar os profissionais que vêm de outros países para trabalhar na coordenação do setor petrolífero e de construção, enquanto os habitantes africanos majoritariamente fazem os serviços que pagam mal, na base da hierarquia. Não que não haja uma elite e uma classe média nativa em ascensão, com angolanos de fato melhorando socialmente, mas nesses condomínios citados, por exemplo, a segregação fica bem clara. Os chineses têm seu espaço próprio, onde só estes podem viver ali.. em geral o tamanho de suas casas variam com o cargo ocupado, existindo também um refeitório para todos que habitam o local, onde da mesma forma trabalham apenas profissionais chineses. Com os funcionários norte americanos ocorre o mesmo, vivendo em condomínios murados só deles.

Por enquanto, praticamente só a capital do país, Luanda, viu uma grande transformação no seu espaço urbano; por lá surgem novos e modernos edifícios - inclusive a empresa brasileira Odebrecht vem investindo pesado em Angola -  os carros circulando são, em geral, modernos, aparecem novos projetos de shoppings centers e um estágio de futebol de primeiro mundo, além desses condomínios de classe média citados, sendo eles de estrangeiros ou não. Apesar disso, até então, pelo menos 60% - talvez mais - da cidade seja composta de favelas e o nível de violência é bastante acentuado, num país que agora vê o nascimento de novas classes mais abastadas com a maioria da população ainda vivendo na pobreza.

De qualquer forma, hoje Angola é a terceira economia lusófona - de países que falam português - depois do Brasil e Portugal... sendo uma nova fronteira inclusive para brasileiros formados no ramo da engenharia e do petróleo, garantindo-lhes excelente remuneração. Nos resta esperar para ver a situação de Angola em 10 ou 20 anos caso o país mantenha seu crescimento econômico entre os maiores do Mundo, sendo maior que o crescimento atual dos Tigres Asiáticos. Atualmente, a maior parte da população ainda vive na pobreza e miséria, mas com as transformações poderemos ver até uma abertura democrática do país, que é governo pelo mesmo ditador desde 1979, uma ascensão social considerável - apesar dos estrangeiros abocanharem uma parte disso - e, infelizmente, um provável aumento da desigualdade social.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O virtual que transforma as relações concretas

Já estava a algumas semanas - como até citei numa postagem anterior - com vontade de criar um tópico pra falar especificamente de assuntos voltados ao universo da internet e da inclusão digital e claro, fazendo um paralelo para os temas costumeiramente abordados pelo blog. 

Primeiro, gostaria de destacar como os laços de amizade e relacionamentos amorosos estão se construindo no mundo da web, mundo que até 1995 praticamente não exisitia ou se limita a um grupo muito específico da população. A internet explodiu com uma velocidade absurda e mudou a configuração da sociedade moderna, suas formas de relação e organização. Estava vendo o programa "Entre aspas" no Globo News dia desses e me deparei com uma discussão que tem muito a ver com isso, num campo até mais amplo. A internet, através de pc's, mensagens de celulares e outros aparelhos de comunicação relativamente recentes está mudando e tornando muito mais veloz a forma de se fazer revolução e mudar histórias políticas de países. 

Um exemplo extremamente recente é o Egito...  foi através de sites de relacionamento como o Facebook, twitter e programas como o Msn possibilitando uma troca extremamente rápida de informações pelo país que foi muito mais fácil em pouquíssimo tempo inserir ideologias e organizar e promover protestos com um número muito grande de manifestantes que depois de 18 dias sangrentos derrubaram o presidente e ditador a 30 anos no poder, Hosni Mubarak. É claro que toda moeda tem dois lados, e a partir da internet fica bem mais fácil ao governo rastrear e perseguir os opositores. Mas...a troca de informações rápidas virtualmente é uma arma muito mais poderosa que qualquer ditador de meados do século XX poderia ter contra ele. Não adianta nem tentar cortar tudo isso, como fez o governo egípcio ao acabar com os sinais de celular e de internet: primeiro por que o circo já estava pegando fogo e a ideologia revolucionária já tinha sido espalhada entre a população, segundo por que existem maneiras de burlar virtuamente todos as barreiras colocadas pelo governo - dando o exemplo colocado pelo especialista no programa - como via telefone, através de uma ligação internacional, estabelecendo assim uma conexão através de outro país. Por tais motivos, um processo de revolução que antigamente duraria meses, hoje dura apenas 18 dias ( e com muita relutância do presidente em sair, pois na Tunísia ocorreu o mesmo e o outro ditador arrumou as malas em menos tempo ainda )...

O fato é que a partir de agora, com o Mundo mais globalizado do que nunca e a troca de informações acontecendo entre os quatro cantos do planeta em tempo real, fatos como esse vão se tornar cada vez mais frequentes, facilitando um pouco mais os governos de achar seus opositores ( o que também não será fácil, pois estamos falando de milhares de pessoas ), mas também colocando o povo numa ligação de intensidade jamais vista e propiciando revoltas populares de resultados muito mais rápidos e mudanças históricas cada vez mais intensas em espaços de tempo cada vez melhores. 

A internet mudou completamente a história, fazendo dela algo muito mais rápido, fazendo cada único mês ou ano ter uma riqueza de fatos relevantes muito maior que outrora... A internet e toda a tecnologia que temos hoje. As guerras são outro exemplo.. O conflito no Iraque ainda existe, mas a guerra oficialmente como acontecia antes, com bombas e batalhas entre exércitos que começou em 2003 se deu em apenas 3 meses. Foi preciso apenas 3 meses de Guerra para que os EUA dominassem totalmente o Iraque. E haja vista também a capacidade de destruição bélica atual, fica bem claro que numa outra eventual guerra, tudo ocorreria num processo extremamente rápido e de igual destruição que se dava antes em alguns anos ou décadas. O mundo ficou pequeno para as capacidades humanas atuais, a aviação cada vez mais se expande e atinge recordes de passageiros no decorrer dos anos, trêns de alta velocidade percorrem países continentais como a China e continentes inteiros como a Europa a 400 km/h. Nenhum lugar é longe demais, nenhum governo é impossível de ser derrubado.... 

Isso que é o interessante do mundo moderno em que vivemos, cada indivíduo tem uma participação muito maior na sociedade, qualquer um pode ser celebridade, é só colocar um video no youtube ( kkkkk ), nos resta agora usar todas essas novas ferramentas para promover a melhoria da sociedade, sanando questões relevantes e buscando o bem comum, pois tudo tem dois lados.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

"Entre les murs", vencedor do Festival de Cannes ( 2008 )


Ontem tava meio de bobeira no pc quando lembrei de um filme que estava na pasta de downloads mas que ainda não tinha visto. "Entre les murs" ou Entre os muros da escola, na tradução para o português, é um filme francês que conta um pouco da realidade de alunos, pais e professores em numa escola de um subúrbio pobre de Paris. Ali estudam árabes do norte da África, africanos negros, chineses e franceses brancos, uma mistura étnica que vem caracterizando muitos bairros de menor renda da capital francesa nas últimas décadas. 


É interessante como o filme aborda conflitos e mazelas  passadas ali dentro. Alunos filhos de imigrantes que pouca perspectiva têm para si, não gostam da instituição escolar, são contra regras e métodos de aprendizado, fazendo-se uma indagação através das cenas e diálogos do que realmente deve ser ensinado. Na verdade, quando os alunos diziam que aprenderam algo ao professor e este perguntava para que serve o que aprenderam, a resposta era: "Sei lá, mas se a escola ensinou, deve servir pra alguma coisa". Outra coisa que deu pra notar foi o choque cultural presente na França contemporânea, com alunos vindos de famílias tribais africanas ou de regiões de cultura muçulmana. Suas famílias são muitas vezes desestruturadas e não falam francês fluentemente, ficando difícil até conversar com pais de alunos em uma reunião de pais.

O desinteresse, na verdade, impera na maioria das escolas do Mundo de países pobres ou ricos, com alunos problemáticos pois sua família não dá suporte e a escola é a válvula de escape. Alunos são expulsos de instituições, mas para onde vão? Para escolas piores ou param de estudar... literalmente há perda de cerébros. Casos de bullying vão ficando cada vez mais freqüentes e não há qualquer apoio institucional, a maioria dos professores e coordenadores fazem vista grossa. Então aí vai a minha crítica: Será que não era hora de remodelar tudo isso? Conciliar disciplinas indispensáveis com tarefas de interação que atraiam o aluno e lhes disperde mais o interesse e a criatividade. O ideal seria que as aulas fossem mais um seminário do que simplesmente despejar informações, trocar informações é muito mais produtivo e foi o que fez o homem progredir nesses milhares de ano de evolução. Enfim... o assunto é muito mais complicado e discutível para ser resumido numa postagem de blog, mas recuperar um aluno que vem de um histórico tão desestruturado e de uma vivência de sofrimento é muito mais complexo do que simplesmente lhe ensinar português, matemática, história e geografia. 

Cabe as escolas saber qual é o seu verdadeiro papel... formar cidadãos? Selecionar cérebros bons e ruins? Recuperar e demonstrar valores sociais que a família não ensina? É complicado, professores não são super heróis, mas a sociedade e o estado tem que se fazer presente onde impera a desordem social, começando no berço.. pois é a partir da escola que se muda toda uma ordem, a Coréia do Sul está aí para nos provar isso. Caso contrário, o efeito é multiplicador e pode ser desastroso para a própria sociedade.