quarta-feira, 4 de junho de 2014

Socialismo made in church

É interessante notar uma dicotomia bem interessante nos dias de hoje que se passa na população religiosa brasileira.

Parte dela se mantém intacta, com os mesmos preceitos de outrora. Muitos têm uma mentalidade bastante retrógrada, em geral, em relação aos gays, aos ateus, àqueles que crêem nas religiões africanas, a mulheres que querem ser independentes (e viver sem um companheiro) na sociedade. Alguns vão gritar nas Igrejas, outros nas ruas. Pregando, chamando para o culto, dizendo que somos uma sociedade de valores invertidos. São capitalistas, alguns se dizem liberais, embora tendam a ser menos laicos e muito intervencionistas. As contradições são variadas em um espectro que vai do mais conservador ao mais tolerante.

Porém, hoje existe um novo seguimento de religiosos "reformados" digamos, bastante "sui generis". São os religiosos socialistas. Bem, sabe-se da grande quantidade de evangélicos (também católicos praticantes, mas em menor quantidade) presentes nas universidades, faculdades de direito, cursos de ciências sociais, e muitos deles acabam absorvendo preceitos marxistas. Sabe-se que nesses cursos existe também um segmento marxista socialmente liberalizante, inclusive chegando ao outro extremo que defende a legalização de todas as drogas, relações poli amorosas, fumar, beber, perder o controle, contestar e contestar. Bem, parece que finalmente socialistas aprenderam a respeitar as minorias, pois antes tudo estava concentrado no campo proletário de relações de trabalho. Os marxistas aprenderam que podiam respeitar os gays, as feministas e os negros há pouquíssimas décadas, é o exemplo que aprendemos da URSS, de Cuba e da Coréia do Norte. Na Coréia do Norte, quase tudo que fuja à regra familiar, que seja contestador, é moralmente um tabu. Movimentos de minorias sempre começaram nos capitalistas EUA e na Europa, via de regra.

Mas voltando, o marxismo é historicamente ateu, e para os novos religiosos marxistas isso é um problema, eles mudam essa imagem. Frei Beto é um grande exemplo disso, ele tende a relacionar a luta de classes com a luta travada por Jesus por igualdade. Alguns já falam de Jesus Cristo como um grande revolucionário (e foi, de fato), praticamente um Che Guevara da vida... mas existem grandes diferenças. Jesus Cristo era um revolucionário da espiritualidade, da coerção através de idéias de paz, convivência, respeito. Não falava em pegar em armas, nem em algo parecido. Jesus não acreditava em governo ou em rei que pudesse mudar qualquer realidade, muito menos em uma elite do "rei" ou do "imperador", a atual elite estatal, que tivesse esse poder. Era sim coletivista, mas não tinha nada de socialista, até porque esta ideia só surgiu 18 séculos depois do seu nascimento.

Vejamos: eu, pessoalmente, me considero inclinado para o lado capitalista. Acredito que as pessoas podem ser boas, melhores. Também acho possível que os empregados não sejam explorados e que o patrão tenha um bom senso em seu respectivo negócio, acredito na filantropia e na caridade, na inciativa pessoal de ajudar os outros como uma forma incrível de melhoria das condições de quem precisa (e não sou cristão para dizer isso). Tudo isso se chama ética, e vem se perdendo. Enriquecer não é um crime, e o próprio luteranismo veio com essa ideia de reforma. A Igreja na idade média condenava o lucro, por isso não havia mobilidade social. Por outro lado, os senhores feudais viviam no luxo absoluto, gozando de tudo de melhor, apenas por terem nascido naquela condição, e outros que nasciam em categorias menores, eram renegados à pobreza vitalicia. 

Foi graças à nascente burguesia urbana, que os feudos acabaram-se, que privilégios de nobreza se acabaram, que se criaram estados nacionais, que ocorreu a Revolução Inglesa, a Revolução Americana, a vitória do norte na Guerra Civil Americana, a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. Foi graças à busca por novas riquezas que o mundo mudou e, acredite, se tornou mais justo e igualitário. Pela primeira vez na história praticamente, ocorreu mobilidade entre classes. Não nego a função social do Marxismo que, muitas vezes, dentro de sociedades capitalistas, humanizou mais as relações e tornou deixou esse mercado mais equilibrado em relação aos que não puderam participar dele. Por vezes o estado atuou para ajudar os que mais precisaram e isso foi valido, criou-se o estado de bem estar social, etc.

O problema é que, hoje, quer-se acabar com o pilar de tudo isso, até dentro dos estados de bem estar social. O alvo é a busca por riquezas e, principalmente, fruto disso, por livre troca e livre comércio. Todas as sociedades que demonizaram o lucro, sejam elas marxistas ou muito antes da invenção dessa ideologia, faliram impreterivelmente, foram para o buraco economicamente e socialmente. Portugal e Espanha, extremamente religiosas, pararam apenas na acumulação de riquezas, deixaram de ser sociedades comerciais, seus membros passaram a viver apenas do que já tinham acumulado. No fim, ficaram para trás. Inglaterra, Alemanha e França prosperaram.

Tanto Alemanha, França e Inglaterra possuem um apoio estatal para os mais pobres bem estruturado, mas nenhuma delas abandonou o pilar do livre comércio, da capacidade de produção de riquezas, do incentivo à criatividade, à invenção, etc. Hoje até podemos ver um momento diferente e de possível mudança, mas deixemos para um outro post. 

Acontece que este novo religioso, marxista, nada mais parece aquele cara da idade média, modernizado pela história. Critica o lucro, critica o capital, acredita que é o governo que tem que ajudar sempre (o que não deveria ser, o governo deveria apoiar no básico, no essencial, e a iniciativa deveria fazer a grande diferença). Criou-se uma classe religiosa estatal, com muitas semelhanças ao clero. O Estado, quanto mais forte, quanto mais poderoso, quanto mais centralizado, menos possibilidades de fazer o bem terá, mais possibilidades de ser tirano, cruel e ideologicamente dominador... Muitos desses novos religiosos também não vêm a homossexualidade, a independência da mulher, o divórcio e a laicidade do estado com liberdade de escolha pessoal com bons olhos. Essas idéias permanecem, com tudo que são reformados, com a mesma ideia moralmente restrita de família, mas agora a família é marxista, não tem mais propriedade privada. 

Foi a burguesia que lhes deu a possibilidade de ser protestante, foi a burguesia que lhes deu a possibilidade de interpretar a bíblia, de ler e escrever, de frequentar uma escola, de ter algum dinheiro. Não foi Marx, nem Engels. Tampouco é santa a burguesia, pois é constituída de pessoas com interesses, mas são seus interesses que moveram essa sociedade a ser o que ela é hoje, de forma involuntária, não premeditada...

Também a burguesia inventou o estado laico, o que pode desagradar alguns destes mais fervorosos.

sábado, 26 de abril de 2014

O direito de viver na cidade ideal

Estava refletindo neste instante sobre mim e quanto minha mentalidade mudou com o passar do tempo. Lá pelos idos de 2011, 2012, eu era mais focado na questão urbana e nos textos sobre Primavera Árabe, Europa, Coréia (um texto que fez muito sucesso, inclusive).

Estou no 5o ano de geografia, muita coisa mudou, não sou mais o que era. Nostalgia? Não sei, mas sinto falta dos tempos em que meus textos eram livres e minhas idéias eram mais promissoras. Sendo bem específico, no que tange a questão das cidades, eu acreditava na mudança pela técnica, e na possibilidade de melhoria dos padrões de vida através de transformações urbanísticas aliadas a transformações educacionais e culturais. Criar um povo mais "civilizado", que se atente mais a questão da reciclagem, do paisagismo, da mobilidade urbana, do uso de técnicas arquitetônicas e modernas para promover um ar melhor, um viver na cidade melhor. O morar em um bairro caótico, sem ordem ou qualquer mínima organização arquitetônica e paisagistica, com lixo, esgoto, sujeira, insalubridade, nada disso entrava na minha cidade perfeita. Agora olho para as minhas idéias de uma cidade mais "civilizada", mais aprazível para seus habitantes, e me sinto julgado. Não consigo mais defender tudo isso sem a culpa incutida e colocada em mim nos últimos tempos, principalmente no meio acadêmico, mas também nas próprias redes sociais... Seria chamado de "coxinha", "reaça", "higienista", "segregador". Não existe mais discussão, ela morreu com o bom senso de não prejulgar que alguém com idéia X, necessariamente tem idéia Y. Isso se trata de um preconceito, um prejulgamento, que não reflete meu real pensamento sobre a cidade e a sociedade. 

Nem sempre fui assim, como bem disse. Antes eu era "puro", achava que o dizer certas coisas não levaria a uma conotação tão negativa e maldosa de pessoas que falam demais e fazem de menos.. Leio textos de grandes autores que escrevem políticas urbanas e não mais me identifico. Eles falam em "cidades para pessoas" (e não para o capital), falam sobre "o direito à cidade": no que eu imagino, como cidades para pessoas e direito à cidade, eu estaria de pleno acordo com eles. Porém, no que eles imaginam como tal, eu já tenho muitas duvidas sobre o que, de fato, significam suas idéias. Parece que o castelo de areia se desfez, alguns (mesmo estes autores) diriam que eu não quero aceitar toda a crueldade e violência aos quais muitas políticas de "renovação urbana" escondem.  Levanto aqui uma questão, que pouca gente aborda: políticas de "renovação urbana" estão alterando uma cidade perfeita, onde todos os moradores vivem em harmonia e dignamente? Nunca defendi a violência do estado sobre a população, o meu grande "defeito" se encontra no fato de que também não defendo modelos de gestão urbana que preguem a "resistência" em cidades que refletem miséria e falência de gestão. Muitas vezes, ou na grande maioria das vezes, a palavra "resistência" não vêm acompanhada da palavra "mudança", acaba vindo acompanhada da palavra "manutenção", manutenção de uma situação tão ou mais violenta quanto a proposta mudança "autoritária" do Estado. 

Defender um modelo ideal de cidade não é reducionismo ou autoritarismo, e essa culpa é difícil de se desfazer cada vez mais quando se discute uma política urbana. Não estou aqui negando as especificidades de cada cidade, mas defendendo que certas essências urbanas podem existir (e no fundo existem). Não se pode pensar ou acreditar que todas as realidades urbanas são de fácil gestão e tudo é solucionável na forma que se fez, nesse caso os próprios geógrafos urbanos e a própria geografia negam a importância do espaço, o modo como ele se constitui e os reflexos que a constituição dele causa. Certas questões são determinadas por aspectos meramente físicos: se você tem uma montanha no meio, não adianta achar que a via vai cruzá-la em linha reta. 

Não estou aqui para defender que favelas sejam eliminadas, para que manifestações urbanas consideradas marginalizadas sejam eliminadas ou que a gente destrua o passado e construa uma nova cidade em cima disso. Estou aqui, ai sim, para defender o que vejo como uma "cidade para pessoas" ou "o direito a cidade". Tais direitos são muito mais do que resistir e permanecer em um espaço físico... dependendo como este se constitui, é imprescindível transformá-lo. Certas barreiras ou impossibilidade físicas impedem de uma forma clara e evidente, que essas mudanças aconteçam.

Me lembro de um professor meu comentando sobre uma comunidade próxima a instalações para os jogos, na Barra da Tijuca, região de grande potencial imobiliário, devido as suas belezas naturais e intervenções urbanas pelo qual vem passando com grandes incentivos do estado. Ele dizia: "esta comunidade (próxima as obras) é a unica da cidade que não possui tráfico de drogas ou mílicias, e logo ela está sendo ameaçada pelos especuladores imobiliários." Ignorei o foco que ele queria dar (pois estava obvio) e pensei um pouco mais além: se esta é a unica comunidade da cidade que não possui tráfico, e na cidade existem mais de 500 favelas ou "aglomerados subnormais" (como são chamados pela prefeitura), existe algo muito grave nesses espaços que propicie o domínio de poderes paralelos. Claro, são espaços esquecidos pelo estado, que não entra ali de nenhuma forma, existem barreiras físicas, sociais e culturais. São o retrato do deficit habitacional e da falta de moradias e de condições de aquisição de moradia para todos. Naturalizou-se a manifestação urbana pois foi a resolução espontânea que pessoas a margem da cidade criaram para si mesmas... Essa constatação qualquer professor meu aplaudiria de pé. A grande questão é que fazer parte da cidade formal não implica simplesmente em resistir e permanecer, isso não implica em quaisquer mudanças. Para uma cidade, ou uma parte da cidade, fazer parte do mundo formal, ela precisa de condições para tal: condições físicas, financeiras e até mesmo, culturais. Um espaço repartido não se insere facilmente a todo o resto, ele precisa se reinventar. Já tive a oportunidade de ter contato com pessoas de comunidades do Rio, e lembro de ouvir questões como: "ninguém paga água, ninguém paga luz, e ninguém quer pagar","o estado chega e intervém de forma muito cruel e violenta". Bem, são dois pontos interessantes, se por um lado o próprio Estado não intervém nesses espaços como deveria, os próprios moradores também vêm vantagens em viver ali e muitas vezes não querem ser inseridos totalmente. É um andar construído a mais, e alugado, sem qualquer custo ou burocracia, é o acesso a internet e tv a cabo mais baratos, todos a margem do que se poderia chamar de cidade formal. 

Integrar esses espaços passa por dois esforços: o esforço do estado em respeitar e agir de forma cidadã nesses locais, e o esforço da própria população (e este não é citado), em querer sair da marginalização. É também a partir de um aumento da renda e do nível educacional desses moradores que essas iniciativas de dentro para fora podem contribuir para acabar com esse urbanismo partido, junto com a cobrança por uma ação mais responsável e cidadã do poder público. O estado não deveria estar ali para reprimir quem quer que seja, mas cabe também ao "reprimido" se mostrar pró-ativo na sociedade, esperar menos de um estado ineficiente, corrupto e populista, e entender que só a organização e ação conjunta e voluntária para mudar essa situação, enxergando-se ver como ator da mudança, e não apenas passivo. Conhecer um mundo diferente, e melhor, é um direito de todos, viver em uma cidade aprazível, menos poluída, engarrafada, mais verde, menos caótica e mais planejada e urbanizada, também é um direito de todos, esse é o "direito a cidade", aquele que implica também em deveres. Em benefícios e também sacrifícios em prol do bem comum, sacrifícios esses que passam pela regularização, pelo pagamento de contas e taxas que diminuirão os encargos e prejuízos sobre a cidade como um todo, benefícios que passem pelo acesso a transporte público, a serviços de saúde e educação, casas harmônicas e aprazíveis para se viver e um planejamento territorial que permita essa dinâmica, com ruas, escadas, praças e parques. Reurbanização aliada a construção de conjuntos habitacionais que permitam intervenções também físicas: intervenções nesse meio são inevitáveis e a unica forma de resolver o problema. Não acho que o foco seja a resistência, pois não vejo o "manter o que já está" como uma solução, pois não é; luto pelas transformações conscientes e importantes para a melhoria da cidade, que passam pela cidadania, transformações físicas, sociais e culturais: Criação de corredores verdes, conjuntos de casas que aproveitem energia solar, reciclagem de lixo, acesso de ônibus e ambulâncias, ambientes de cultura e lazer, clubes, centros culturais, ruas de comércio com calçadas largas e ampla circulação de pedestres, gabaritos e harmonia arquitetônica, acesso rápido a transporte público, integração física e plena, sem fronteiras visíveis entre o que era ilegal e o que sempre foi legal...

Por fim, me sinto até menos "culpado", sinto que meu projeto como cidadão da cidade do Rio de Janeiro está aqui definido em alguns parágrafos. Fiz minha parte, não posso mudar nada, apenas como estudioso da área e um jovem apaixonado por cidades, dei minha humilde opinião. No mais: que me desculpem as cidades feias, mas beleza - e qualidade de vida - são fundamentais. 


Antiga favela em Guayaquil, Equador. 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Por um mundo de mentes livres...


Venho, primeiramente, afirmar que acho a denominação esquerda e direita, antiga e ultrapassada, portanto relutei muito em usá-la, porém parece que tanto quem se denomina esquerda ou direita, tem prazer em se ver como esquerda ou direita, então, se eles se reconhecem assim, quem sou eu para dizer que não são.

Pra começar, algumas pessoas, nessa modinha de esquerda-direita tão século XX, resolveram me ver agora como “direita”, sem que eu, sequer, jamais, tenha me reconhecido como tal ou afirmado que me encontro em tal classificação tão fora de moda pro meu gosto.  

Bem, sobre a esquerda brasileira, tenho pouco a afirmar, ela é “chavista”, podre e sórdida. A corrupção está entranhada em todas as esferas do governo petista, que só fala em bolsa, cotas, bolsa e cotas, que o rico é mau e o pobre é bom. O PT é demagogo, é baixo... Domina a mídia, domina a opinião publica, polariza a sociedade.

Mas o que dizer sobre a direita brasileira? Bem, a direita brasileira é o sonho de toda esquerda. Primeiro, porque vários membros da direita são defensores da antiga ditadura militar, como se apanhar e ser morto pelo próprio governo, aquele que faz as leis e deveria defender o povo dos assassinos, fosse algo aceitável. Segundo, porque boa parte da direita brasileira é, de fato, muito preconceituosa, quer que – como diz o Paulo Gustavo – a faxineira seja sempre faxineira, e a médica, sempre médica, não vêm com bons olhos a igualdade entre brancos, negros, heteros, gays, religiosos e ateus. Também defendem que os “favelados” nunca saiam da favela (wait, isso é coisa do tão "hipocritamente correto" PSOL, que linha tênue, aff, continando... ). Terceiro, porque a direita brasileira, durante seu período de governo, olhou mais pelas empresas do que pela população, olhou mais por interesses que não deveriam ser de governo e, sim, individuais, do que pela segurança, saúde e educação, investimentos em infraestrutura. 

Que prato cheio pra esquerda fazer o que bem entender! Motivos não faltam, boa parte da direita brasileira não se interessa em economia, não se interessa em saber como os países ricos, aqueles que hoje gozam de outro patamar de vida, chegaram onde chegaram, só sabem endeusar a Europa mas não fazem sua parte para que o Brasil mude. Não foi odiando gays, negros e ateus que esses países se desenvolveram, mas sim, abrindo maior espaço para cada um deles, ainda que a xenofobia e o preconceito persistam em muitos países da Europa, é na abertura, na união, que se atinge o desenvolvimento. Afinal, muitos direitistas têm uma mente colonizada, a mente da classe média de países miseráveis. Muitos são preocupados com a aparência, com a filho macho exemplo da família, com a filha recatada que têm em casa, julgam o fora do “padrão”, o diferente deles, esquecem-se que uma sociedade democrática, neoliberal, apesar de todas as criticas que se faz a esse sistema, só se faz com democracia, com igualdade de oportunidades nos estudos e no mercado de trabalho. Basta ler os liberais mais conhecidos e ver o que eles pensam, não existe parceria publico privada, não existe favorzinho do governo para as empresas. Os direitistas esquecem-se que Cuba, URSS, também defendiam família, bons costumes e propriedade, no caso dos últimos, propriedade publica, leia-se, nas mãos da elite politica que comandava a ditadura vigente, a única capaz de manter um sistema desse naipe.  

A direita brasileira é dominada pela incompetência discursiva, é manchada pela sua voz preconceituosa e reacionária que o população brasileira não deseja mais. Se temos uma oposição assim, então não temos oposição, se não temos oposição, temos uma ditadura. O governo brasileiro hoje faz o que quer, manipula como quer, controla como quer. Todos os programas que hoje fazem “pelo povo” são frutos da regra mais básica de dominação de um povo, e foram usadas na história do mundo diversas vezes, tanto pela esquerda quanto pela direita. O governo cria vilões, sejam os médicos, seja a classe média – embora o discurso não ajude e, como falei, seja um prato cheio. A direita não faz nada porque ela mesma se reconhece, ela sente culpa nas costas, ela sente responsabilidade, ela compra o discurso pois ela mesma ainda tem dificuldade de mudar. Nossa esquerda está sozinha, ela dita, ela manda, ela fala - e só fala - o que o povo quer ouvir. Ela jamais se interessou em seguir a cartilha de um país que atingiu o sucesso, ou se diz que se interessa, faz isso criando primeiro toda a burocracia estatal, como aconteceu ao criar uma empresa estatal para construir o trem-bala mas até agora não construiu nada.. ou seja, ela aumenta o problema para depois criar a solução. O Brasil clama por gestores, clama por infraestrutura, clama por saúde, educação e segurança que são, de longe, as melhores politicas sociais, clama por menos vilões, por menos culpados e por mais solução, clama por menos discurso de divida social e mais de crédito social, clama por menos gestores metidos a popstars e mais genios da gestão, afinal, está dificil de aguentar essa “ditadura” petista, muito menos essa oposição pálida e de rabo preso. Nossa esquerda é maquiavélica e manipuladora, já a direita deixa seus preconceitos aflorarem ao invés de mostrarem as verdadeiras ideias sobre o que é, realmente, uma sociedade justa, e justa onde as pessoas possam crescer por suas próprias pernas e o governo dê o suporte sem deixar a mesma dependente, sem comprar-lhe o cérebro, sem comprar-lhe o resultado da próxima eleição.  

Nossa direita e nossa esquerda se misturam, se misturam na sordidez do discurso, na falta de compreensão da opinião oposta, na falta de apego pela democracia. Afinal, uma ideologia que quer dominar, que quer vigorar, ela precisa se impor, e a melhor forma de fazê-lo é reprimindo ideias opostas. Eu só defendo uma, a livre expressão, que é necessária para que todas as outras existam; não sou direitista pois, na minha visão, a direita tem um pensamento hipócrita e nojento, não sou de esquerda, pois me recuso a ter um pensamento ainda mais hipócrita e nojento para refutá-lo. Não sou nenhum dos dois, pois essa denominação caiu em 1989 junto com muro, pois após esse longo texto chega a conclusão de que esquerda e direita são apenas dois grupos que pensam que a sociedade é uma partida de futebol e a população é a bola. Existem ideias, mas tambéma existe um mundo lotado de diversidade concreta que necessita de respeito, respeito esse que vamos conquistando desde o iluminismo e que vem sendo ameaçado por muitos justamente que reinvindicam esse respeito, no melhor estilo Jacobinos da Revolução Francesa. É pela liberdade que deve-se lutar até o fim, pois só assim chegaremos próximo de ideal de felicidade que o ser humano tanto vislumbra e sempre vislumbrou. 


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Um breve histórico

Pretendo ser breve dessa vez, breve o suficiente para poder dormir em um horario aceitável levando em conta que essa é uma madrugada de domingo. Escrever, pra mim, ainda é algo muito prazeroso, embora eu quase não o faça no blog. Tenho poucos seguidores, afinal o blog anda parado, e isso acaba me desmotivando mais.

Bem, minha vida não mudou muito. Na essência, sou eu. Sou o mesmo menino que nos recreios já andava solitário refletindo sobre a vida. O meu maior defeito, com certeza, é pensar em demasia, isso é a fonte de todos os problemas. Passam-se anos, passam-se experiencias, passam-se duvidas, resolvem-se questões e aparecem outras, porque minha mente curiosa jamais pode parar de se perguntar. Não estou no mundo para agradar ninguém, e percebi que sempre que tentei isso, falhei amargamente... Não é cliché ou repetitivo dizer que é melhor ser você próprio, com todos os seus defeitos malucos e inexplicáveis, mas também grandes qualidades, do que ser uma grande mentira. Foi a grande mentira que tanto atrasou meu crescimento pessoal, foi a grande mentira que sempre fez com que eu me achasse um perdedor durante muito tempo. Quando eu me livrava de uma, sempre aparecia outra, e outra. Com frequência, ainda esbarro com algumas, aquelas mais presas e difieis de se livrar. Minha vida não mudou, continua sendo longe, muito longe daqui, pois eu, na verdade, mentalmente, nunca estive em apenas um lugar, eu sempre estive no mundo, e sempre pensei nele como um grande conjunto interligado. Já não ligo para o que é perto ou longe fisicamente, pois para mim, tudo está a distância de um fechar de olhos.



domingo, 30 de junho de 2013

Se eu não disser...

Se eu não disser que ando um tanto desanimado ou desestimulado a escrever, estaria mentindo, ou no mínimo omitindo uma sensação que me passa há um bom tempo. Não, eu não tenho a obrigação de escrever aqui, mas eu poderia dizer que zilhões de idéias que passam na minha cabeça poderiam ser registradas e não o são, simplesmente pois deixo de lado, e elas se perdem... A maioria delas são ligadas ao tema do blog, eu diria que o tema do mesmo é amplo, assim como é minha profissão, e eu acabo dando pitaco nas ciências próximas da geografia. Antropologicamente, sociologicamente, etc etc etc.... Outras questões são de cunho pessoal, mas eu acabo, por fim, dando o mesmo enfoque social, antropologico haha. É, já sofri, já aprendi, já sofri de novo, já aprendi de novo.. na vida, ninguém te dá um sorriso de graça, e se você o fizer, também não espere retribuição. Apenas ame, apenas se deixe levar, ou apenas fique parado caso as aguas estejam calmas. Confesso que, por vezes, sinto falta dessa retribuição, parece que o tempo passou e as pessoas ficaram mais insensíveis. Bobagem, só parece, só se passaram 3 anos, 3 anos para uma rocha não é nada, e para uma pessoa, é pouco, ou as pessoas viraram rocha. Sei lá, delirar e escrever foi o que fizeram diversos poetas, e desses devaneios até que surgiram belos escritos. Tem horas que dá vontade de não parar mais de viajar, conhecer todos os lugares possiveis em um curto espaço de tempo.... (esse rascunho ficou parado e inacabado por semanas)...

Recomeço agora, dia 30/06/2013. Viajar para mim é um modo de vida, é um sonho, conhecer novas culturas, ouvir outros idiomas, experimentar novos hábitos. Existe um livro de auto-ajuda, chamado "Mudança de hábitos", algo assim, não lembro exatamente o título, pois apenas li algumas páginas na livraria uma vez, e me lembro das poucas páginas que li, que a grande reviravolta na vida da autora, que faz do livro uma auto-biografia que começa após um noivado fracassado e um período de profunda depressão, se deu quando ela começou a fazer novas viagens.. Ela tomou coragem e meteu a cara no mundo, viu que esse mundo ia muito além de sua vidinha, de seu noivo, de sua cidade.

Um grande sonho meu é fazer intercâmbio, na França ou no Canadá/Irlanda, mas preferencialmente na França, que pra mim é um país de contos de fadas, encantado por suas cidades históricas, sua cultura, seu lindo idioma, que venho tentando aprender desde 2011, embora não seja muito fácil. Gostaria muito de poder viver e experienciar uma nova cultura assim que eu me formar, acho uma experiencia unica, que te dá coragem, faz crescer, amadurecer... Sul da França, já imagino a cidade, as pessoas falando o idioma perto de mim, o aspecto da cidade, Montpellier, quem sabe, novos aromas, gostos, gente... Eu me enrolando com a cultura, cometendo gafes, aprendendo em cima disso, convivendo com outras mentalidades, sentindo, vivendo, vendo, tocando, falando, escutando esse novo mundo todos os dias. Voltando lá para o inicio do post, que escrevi em algum dia que não me lembro quanto, e aproveitando o gancho, não tem nada mais antropologico do que isso.

Sempre, desde pequeno, eu tive dificuldades em lidar com as questões e sempre vi o recomeço como a melhor alternativa. Não que eu abandonasse tudo e todos da minha vida antiga, mas eu procurava reconstruir outra perspectiva em cima da anterior, que por vezes me decepcionava... Foi assim, e sinto que está sendo querendo ser assim de novo. Nossa vida tem altos e baixos, começos e recomeços, e nada melhor que um recomeço para deixar o que havia antes mais bonito. Acho que todo o ser humano deveria ter esse direito, não importa a idade, posição social, sexo... viver é isso.


sábado, 1 de dezembro de 2012

O ser geógrafo

Como o meu perfil bem destaca, sou estudante de geografia. Geografia é uma bela ciência que tenta, através de uma visão sistêmica e holística, entender os diversos fenômenos físicos e humanos que ocorrem na superfície terrestre e uso o território e a dimensão espacial como ferramenta principal para compreende-los. Tá, enrolei um pouco mas acho que ficou claro kkkk
De qualquer forma, poucos geógrafos sabem exatamente seu papel... Pra mim, deixando as discussões epistemológicas para Ruy Moreira e outros intelectuais da área, ser geógrafo abre a mentes, faz pensar grande e extingue as fronteiras. As distancias se tornam menores e o mundo todo está na palma das nossas mãos.. Conseguimos compreender por que a sociedade se configura de certa maneira no tempo e no espaço e que caminhos podem ser seguidos daqui para frente. Diminuímos nosso preconceito e nosso julgamento em relação a outros modos de vida em outras regiões do Globo pois temos conhecimento de causas antropológicas para tal, que também vale para nós mesmos. Enxergamos a globalização como um fenômeno que cria uma grande rede de informações e dados, fazendo o mundo do geógrafo passar de pequeno, para  ainda menor. Porém, não há barreiras de pensamento e de idéias, fazendo nossa mente ser maior do que o próprio mundo e sua capacidade as vezes limitada. 

Faça a diferença!

Bem, primeiramente, venho a pedir desculpas pelo longo período sem postar nada aqui, eu de fato andava desanimado e sem saco para escrever no blog, também pelo fato de eu ter tido poucos seguidores e poucos comentários nas postagens. Mas hoje eu vejo que isso é culpa minha por ter desistido e praticamente abandonado o projeto, afinal, quem vai se interessar por um blog abandonado e desatualizado? Eu nesse período tentarei organizar melhor o meu tempo e, a partir daí, poder dedicar um certo tempo para este blog,  e postar nele periodicamente, bem, pelo menos é o meu desejo.... Para tal, eu diria que preciso adotar uma linha um pouco mais pessoal nos meus textos - digo isso pois em muitos (ou mesmo na maioria dos momentos) eu acabo sendo imparcial e não doto de personalidade os assuntos que abordo - bem, eu diria que até faço isso as vezes, mas menos do que eu deveria. Existem muitos conceitos e idéias que eu ainda não abordei aqui, e que eu preciso e devo publicar, pois essa é a minha visão de mundo e ela pode, sim, influenciar para melhor, na minha perspectiva, as mentes de outras pessoas. Não quero ser um influenciador dominador, já que muito do que sou e penso hoje também foi moldado por idéias de outras pessoas, pois a vida é feita dessa troca e desse intercâmbio de opiniões, onde é melhor ser "uma metamorfose ambulante do que ter uma opinião formada sobre tudo". Ao meu ego isso nada interfere, só tendendo a um crescimento e amadurecimento maior das opiniões. 
Já que é para colocar o próprio rótulo no mundo, a melhor forma de fazê-lo é externalizando seu modo de entende-lo sem medo de palavras contrarias... Só de viver num país democrático, eu já posso me considerar uma pessoa de sorte, já que a democracia me dá esse direito de ser um sujeito com voz ativa na sociedade. Se alguém realmente deseja fazer a diferença, ela terá que ser mais do que pertencer passivamente. Não vou negar que tenho, como qualquer outra pessoa, medo de rejeição, maledicências e até mesmo da indiferença, o silêncio as vezes nos sufoca por as vezes querermos respostas rapidamente que não podem ser respondidas ou não devem ser respondidas, em certo momento. Venho, por meio desta página, dar a minha pequena - bastante pequena, mas significativa - contribuição na formação de idéias esclarecidas e criticas sobre a sociedade e o nosso meio de vida, numa visão que, pelo menos tentar ser, atualizada e dinâmica. Peço que todos tentem, de alguma forma, fazer o mesmo, e contribuam para um planeta mais rico em idéias e menos submisso a determinismos e padrões estáticos.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A tão falada crise na Zona do Euro

Olá pessoal. Primeiramente, gostaria de pedir desculpas pelo longo tempo (praticamente um ano), sumido do blog, é que de fato eu fui fazendo outras coisas, com outros projetos e acabei deixando o blog meio de lado, mas aproveitando o feriado da Pascoa, reavivo isso aqui e pretendo continuar postando, pois ainda gosto bastante de escrever.



Bem, o site tá meio desatualizado e um dos temas mais pertinentes agora é a crise na zona do euro. Eu continuo bem atualizado sobre isso, vejo programas a respeito, tento acompanhar ao máximo, até por que a dinâmica dos países da região me interessam muito. Toda essa postagem é uma opinião bem pessoal, portanto sinta-se livre para comentar e discordar. Acredito que muitos países ali (não todos) colheram do que plantaram... Espanha, Irlanda, Portugal e especialmente a Grécia, ao ingresssarem a União Européia e postariormente ao Euro, receberam um volume de capital grandioso para que colocassem suas economias no mesmo patamar dos países mais ricos do bloco, e assim pudessem se equiparar a eles ingressando numa união de livre comércio, moeda e circulação de pessoas, que sem essa injeção de capitais não seria possível.

A Irlanda foi sem duvida a mais bem sucedida, conseguindo elevar muito seu padrão de vida e tendo hoje a renda per capita maior que a de países muito ricos como a Bélgica. Pois bem, gastou-se muito, investiu-se muito, mas não se pensou em equilibrar as contas públicas, o dinheiro foi farto, mas as despesas não controladas acabaram criando uma bolha de dívida para os países suprassitados. A Grécia é o exemplo mais crítico, o estado gastou desenfreadamente... vocês se lembram das Olímpiadas de Atenas em 2004? Pois bem, a farra de obras e superfaturamento foi uma das facadas nas contas do país, que pagou quem sabe 20 ou 30 bilhões de Euros para a realização dos jogos. Dinheiro esse que, convenhamos, com todo o turismo e investimentos que pode ter atraído, não teve um retorno compensador. 6 anos depois, o país mergulhou na maior crise de sua história, demitindo cerca de 150 mil funcionários públicos, um número que impressiona para um país de 10 milhões de habitantes.

Solução para esses países? Austeridade. Mas a austeridade tem seu presso amargo, antipático.. arrocho salarial, previdenciario, cortes de benefícios, cortes de investimentos em vários setores da economia, retirada de capitais estrangeiros por medo de calote por parte do governo que não tem dinheiro para pagar suas contas, altos níveis de desemprego, mergulhando os países numa crise não só economica como social e fazendo a coisa ficar aguda. Mas, se a crise é da divida.. (alguns pensam) por que o governo simplesmente não deixa de paga-la e gasta suas finanças em tentar melhorar a situação financeira do povo? A Grécia já faz isso com ACORDOS que já perdoaram mais da metade da dívida .. eu disse bem, acordos que disfarçam o calote. Vale a gente ressaltar que um calote declarado, no sentido mais literal da palavra, criaria uma convulção nos mercados, uma crise generalizada no Euro, pois a moeda unica cria um efeito dominó nos outros países, além de uma fuga, aí maciça e quase total de investimentos na Grécia, mergulhando o país num caos ainda maior. A Argentina é nosso bom exemplo de 11 anos atrás... Portugal, Irlanda, Espanha e Itália se equilibram em cima da corda bamba para não pedirem perdão da dívida, o que causaria mais mal estar internacional, criando 'apenas' o mal estar interno da austeridade. E da-lhe austeridade. Tais países também vêm privatizando tudo que podem e muitos chineses xing lings vêm comprando empresas, zonas agrícolas e se dando bem no negócio, aumentando seu poder e influencia pela europa adentro.

Sim, na minha humilde opinião, a Europa daqui a uns anos se recuperará, mas terá que engolir muitos sapos chineses (não só chineses.. ), agora influentes e poderosos, e terá aposentados e cidadãos menos dependentes do governo, tendo que se virar mais sozinhos... o tapete vai ter que abaixar...Já os governos com as contas em ordem, por mais que o povo fragilizado e consumindo pouco, aos poucos ganha crédito internacional, os investimentos vão voltando, a receita vai subindo e ele pode, novamente, gastar mais (vamos ver se dessa vez faz isso com responsabilidade fiscal)... processo que pode ser bem mais facilitado pois toda a infra estrutura já existe, além de um povo especializado e com nível de educação elevado. Convenhamos, é mais facil se reerguer tendo um passado rico do que se erguer com um passado pobre, tendo que começar do zero, como vêm fazendo mtos países asiáticos e os BRICs (com exceção da Rússia), basta que a crise não dure muito tempo e não deteriore tudo que já foi feito..


sábado, 27 de agosto de 2011

Coréia, um abismo entre dois mundos e um só povo

Olá pessoal! Bem, primeiramente gostaria mais uma vez de me desculpar por ter diminuido o ritmo das postagens, projetos para colocar aqui tenho vários, só está faltando coloca-los em prática, mas cedo ou tarde colocarei hehe
Hoje gostaria de falar um pouco sobre a Península da Coréia. Até os anos 50 existia no local um único país, com lingua e cultura próprias. Aí veio a Guerra Fria, URSS de um lado, EUA do outro.... enfim, simplificando, acabaram dividindo o país em dois pedaços que se transformaram em dois países, um deles socialista e o outro capitalista, não sendo permitido o fluxo de imigrantes entre os dois. De uma hora pra outra, um único país se fragmentou e cada parte se isolou para um lado, fazendo com que cada qual constituísse uma identidade própria que até então não fazia sentido.

Hoje, são dois dos mais interessantes exemplos tanto do socialismo quanto do capitalismo. Até os anos 70, a Coréia do Norte dentro do modelo soviético se mostrava mais rica e bem sucedida que a parte sul; porém, a partir desse momento até os dias de hoje, a economia da Coréia do Sul sofre um boom que criara uma enorme diferença e fez com que hoje o lado capitalista se mostre infinitamente mais rico e dinâmico. Um dos maiores trunfos, dizem os sul coreanos, foi o investimento em educação. Um país outrora pobre coloca todo o seu foco em criar mentes brilhantes que criassem e construíssem um novo país. Apesar do efeito colateral de maior valorização de certas áreas do saber em detrimento do outras, os sul coreanos de fato conseguiram transformar seu país. Hoje, quase 100% da sua população é alfabetizada. Através dessa revolução educacional, o país criou tecnologia e se tornou exportador de produtos de alto valor. O que se pode constatar, por exemplo, com a enorme quantidade de marcas norte coreanas no mercado brasileiro, dentre elas a Hyundai, Kia Motors, LG e Samsung. A Coréia do Sul se transformou, da fato, em um novo Japão, porém um pouco menos rico, menos metódico e mais "latinizado", se assim se pode dizer de um povo carismático para os padrões orientais. Na música, ocorre outro grande revolução e nesse caso, uma americanização, com bandas pop criando canções e clipes bastante inspirados no estilo norte-americano, porém um pouco mais exagerado e com maior produção dos cantores, seja nas roupas, seja nos cabelos ( muitas vezes aloirados a moda européia ), etc. Este estilo, hoje conhecido como K-Pop ( Korean Pop ), é bastante popular na Ásia e inclusive fora dela.




                                 Centro financeiro de Seoul

As cidades experimentaram grande enriquecimento e aumento do consumo, um bom exemplo é Seoul, a capital do país. Edifícios empresariais foram erguidos pela cidade e grande avenidas foram abertas, em uma remodelação do plano urbanístico, com destaque para a criação do parque de Cheonggyecheon, que consistiu na abertura de um moderno espaço público as margens do rio de mesmo nome em um área anteriormente bastante degradada com habitações de palafita. Ao redor existem modernos prédios comerciais, com arquitetura que lembra bastante o design japones contemporâneo de edificações. Na verdade, a modelo urbanístico sul coreano hoje é bastante parecido com o japonês, com a ressalva de que as cidades coreanas possuem grandes quantidades de prédios de apartamentos em blocos e as casas são, principalmente nos bairros mais nobres, mais amplas que suas semelhantes no Japão. Outro interessante exemplo da pujança e união entre os dois países foi a Copa do Mundo Coréia - Japão, em 2002, que mostrou ao mundo em um evento impecável, a riqueza dos dois países mais desenvolvidos da Ásia, lado a lado.


Do outro lado da fronteira está a Coréia do Norte, que tem como vizinhos seu irmão gemeo capitalista, a China e a Rússia, antiga URSS. Depois da dissolução da União Soviética e consequente queda do regime socialista no final dos anos 80, a Coréia do Norte perde seu principal aliado e parceiro, ficando isolada ao lado da China que com o tempo acabara por adotar uma economia de mercado, tornando as economias de ambos os países muito distintas. Ainda assim, a China hoje se apresenta como comunista e costuma ajudar do alguma forma a Coréia do Norte, com alimentos, tecnologia, etc... e a elite do país, quando faz alguma viagem internacional, costuma ser para a China. Salientando que pouquíssimos são os norte coreanos que têm a chance de sair de seu país, afinal o regime por lá é extremamemente fechado. Uma sociedade pouco religiosa, onde na verdade o objeto de adoração é o falecido ditador, Kim Il Sung, que governou o país de 1948 a 1994. Mesmo falecido, o "Grande Lider" - como é chamado - é até hoje considerado o presidente do país pela população local e a ele são atribuidas todas as benfeitorias e quase todas as invenções que a sociedade norte coreana conhece. Hoje quem governa é seu filho, Kim Jong-Il, chamado de "querido líder" pelos habitantes locais e conhecido internacionalmente por seus polêmicos testes de bombas nucleares, o que isolou totalmente a Coréia do Norte do resto do mundo. Há escassez de alimentos e energia, mas o governo parece só investir em gastos militares.... existem boatos de ondas de fome no interior de país e campos de concentração para onde vão milhares de opositores do regime.

A capital do país, Pyongyang, é caracterizada por seu modelo urbanistico socialista, com grandes blocos residenciais todos iguais no estilo soviético e aquele aspecto cinza, formal, segmentado e com imensas avenidas. Imensas.. alias... para os pouquissimos carros que transitam pelas ruas, pois por lá só a elite  possui carros particulares, geralmente presente do governo. Esta cidade, porém, por ser capital, tem o privilégio de ser servida pelo fornecimento de eletricidade durante as 24h horas do dia, pois em todas as outras cidades do país a energia elétrica é cortada de meia dia ás 6 da manhã, se nao estou enganado. 


Tipica rua de Pyongyang

                                          Espetáculo mostrando a inacreditável disciplina deste povo

Pyongyang possui uma eficiente rede de metrô. Nas escolas o ensino é mais do que puxado, quase 100% dos habitantes estão alfabetizados como no país irmão capitalista ao sul, e as crianças ensaiam para um coral - no caso das mais afortunadas - que é apresentado como um grande evento ao final, de fato é espetacular, a apresentação delas é irretocável, nem parece que são apenas crianças.. até por que as pessoas são levadas um modo militar de ensino, de criação, perfeccionismo, que embora não seja tão diferente assim do modelo educacional de sua vizinha sulista, é pautado basicamente no culta ao "grande líder" e uma alienação tão grande que espantaria inclusive os sul coreanos. É um país extremamente metódico, onde todos são, ou deveriam ser aos olhos do governo, literamente iguais ( excetuando-se a pequena elite que compõe a cúpula do governo, sem fazer piada com o fato de serem parecidos por serem orientais : P ), devem pensar igual, agir igual, baseando todos esses aspectos no constituição de família e assim dar seguimento as novas gerações, e sempre exaltando a figura de seu líder supremo, Kim Il Sung, claro.

Por lá, não existe o inato, exite o socialmente construído.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Devendo ao limite

Olá pessoal, gostaria de me desculpar pelo tempo ausente de postagens no blog, é que além de estar meio enrolado na faculdade ainda estava sem idéias e um pouco cheio de coisas na cabeça.


Bem, quem que goste de geopolítica não ouviu falar no grande dilema em que vive os EUA neste momento? Se o limite da dívida pública do país mais rico do Mundo não for elevado, este deixa de pegar seus credores e pode dar início a um colete histórico, nunca visto e que pode levar o mundo a uma nova recessão. A cede dos republicanos é imensa, eles querem deixar o assunto para ser resolvido no último minuto ou quem sabe nem resolvê-lo. É muito simples para eles, pois são oposição e se o país afundar na crise novamente, o povo sempre tende a votar de novo na oposição achando que tudo é culpa do governo, ou seja, o Obama não se reelege em 2012. Mas a que custo eles teriam coragem de faze-lo? Um país enfraquecido seria ruim para todos, a credibilidade é um orgulho para os norte-americanos, pois não existe praticamente investimento mais seguro do que investir em títulos da dívida desse país.

Os republicanos jogariam tudo fora? É fato que nos EUA os mais ricos pagam poucos impostos e que a desigualdade está se acentuando, mas os novos políticos eleitos da extrema esquerda se recusam a cobrar mais destes para diminuir o deficit nas contas que o próprio Bush filho ( REPUBLICANO! ) fez, soa até engraçado. Obama terá que ter muito jogo de cintura, mas um calote seria ruim para todos, cortar pensões e programas sociais também não seria correto num momento em que o povo está muito dependente destes benefícios, já que a economia está enfraquecida e o desemprego está alto. O governo como poder legislativo tem artifícios jurídicos para criar emendas e medidas provisórias em tempo para elevar quem sabe o teto do endividamento e mais importante, estudar muito bem onde cortar os gastos! Acabar de vez com as frentes da guerra no Afeganistão e diminuir mais ainda os custos militares exorbitantes deixados pelo governo George W. Bush.

Por fim, aumentar impostos dos mais ricos, embora isto seja muito mais complicado com a oposição em maioria no congresso, e assim equilibrar a balança fazendo a dívida se estabilizar e quem sabe até diminuir. O que os americanos precisam é ter consciência da situação e não achar que tudo é culpa do governo, falta um certo pulso de líder e negociador do Obama para conduzir uma situação tão delicada, mas uma negociação da oposição que também é culpada por essa situação precisa ser feita num tempo recorde. Caso contrário, é bom o yankees acordarem e darem novo rumo a sua política em 2012, colocando políticos mais moderados e negociadores no poder, afinal um partido que pensa que o governo de um país é o problema não deveria nem existir. Uma economia forte, onde o povo é empreendedor, livre de altos impostos e que faz o país crescer junto com as contas governamentais equilibradas é uma coisa, outra bem diferente é uma economia forte porém em decadência, onde o povo não tem acesso a certos serviços básicos, onde os ricos livres de impostos compram jatinho, o que não desenvolve em nada um país economicamente, onde o governo está com as contas no vermelho e o povo que não arranja empregos, não está conseguindo investir e ser empreeendedor da maneira que gostaria por conta de todos os motivos anteriores.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Urbanismo: Questão deixada de lado no Brasil - II

Boa noite pessoal! Bom.. hoje gostaria de focar novamente no urbanismo. Pode parecer até um assunto chato para alguns, mas creio que todo mundo goste de andar numa cidade limpa, bem cuidada e que inspira riqueza e desenvolvimento. A gente meio q cria um olhar inconsciente para reparar essas coisas se baseando, sem sequer perceber, nas características urbanísticas do local. E mais do que isso, bom urbanismo é qualidade de vida e planejamento, é poder estacionar o carro sem tanta dificuldade ou mesmo ficar bem menos horas no transito, contar com um serviços de transportes eficiência e sem atrasos, enfim... se nós já dependemos tanto de uma organização nas nossas cidades, que dirá alguém que seja deficiente, e é dessa questão que gostaria de tratar. Estive andando na Rua da Assembléia no centro do Rio de Janeiro. Uma rua que poderia até se considerar acima da média.. fiação aterrada, prédios comerciais suntuosos, comercio de rua que inclui até um café, tipo de comércio ainda pouco difundido pelo Brasil.. mas no final percebi que ainda está muito aquém do que deveria, principalmente quando se fala nas calçadas. É muita precariedade, é absurdo...

Andei cerca de três quarteirões, desde a estação carioca ao paço imperial. Fico imaginando um cadeirante TENTANDO andar nas calçadas daquela rua que além de sujas, são apertadas pelo enorme número de pedestres, e o pior.. totalmente irregulares. Buracos por entre as pedras portuguesas em toda a parte, poças, um bueiro sem tampa no meio de calçada, sendo colocados galhos e uma caixa de papelão para as pessoas verem e desviarem. Portanto, você tem que pular buracos, bueiros e só pra apimentar ainda leva uma pequena ducha das várias caixas de ar condicionado que pingam dos escritórios comerciais do alto dos prédios ( kkkk eles devem estar querendo amenizar o nosso calor com uma aguínha ). Assim, falando bem francamente... o cadeirante simplismente não passa, fica muito complicado.... é um direito que lhe foi vetado pelo descaso em relação ao urbanismo no nosso país.

E ele não é a una vítima, um cego ali também passaria por maus bocados. A rua finge que tem calçadas especiais de borracha para cegos, como essa da foto no final da postagem, mas sua direção é tão burra e louca que no Brasil as vezes eu acho que colocam asnos e mulas literalmente para planejar as nossas cidades. E por que? Por que a primeira faixa começa no meio do nada na rua, começa se o cego surgisse ali num passe de mágica... anda alguns metros, passa por uma esquina onde no meio da faixa de borracha existe, acredite, um BURACO ( !! ) É, coitado do cego, parece que fizeram de sacanagem só pra ele cair ali. A faixa continua por mais alguns metros e acaba na parede de um prédio, literamente... dando a impressão de que é feito de propósito pro cego bater na parede.. ( Seria cômico de não fosse trágico ).. andando um pouco mais,  já na esquina com a rua primeiro de março, o caminho de borracha recomeça misteriosamente a partir do um vaso de plantas - o cego vai nascer na árvore e começar a andar dali pra frente, só pode - e vai indo em direção ao sinal da esquina fazendo uma bifurcação: "Que beleza, até em bifurcação para dois lados diferentes eles pensaram, o cego pode até escolher pra que direção ir!" Doce ilusão, pois depois de dar a curva a faixa simplismente acaba para ambos os lados e uma das partes nem chega a levar ao semáforo, termina antes com pedras portuguesas colocadas no local da sua continuação!

Maravilhoso, quanta preocupação com a qualidade de vida do pedestre, do cidadão... e isso tudo no centro financeiro da segunda cidade mais rica do país! Fico impressionado... E a prefeitura parece que nada faz.

É isso pessoal, ainda tem outras questões interessantes que gostaria de dividir com vcs, mas vou deixar para a parte III que pretendo postar em breve.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ditado pelo interesse

Muito se vem falando sobre as revoltas que se seguem no Mundo Árabe, revoltas essas que mobilizam cada vez mais grupos da sociedade e estão desestruturando os regimes totalitários na região. Essa realidade é antiga, afinal só ouvimos falar em ditadores que estão a 20, 30 e até 40 anos no poder como é o caso de Muammar al-Gaddafi, na Líbia. Digamos que algum tipo de intervenção estrangeira na atual guerra civil em que se encontra o estado líbio atual não é errada, porém é preciso analizar bem de que modo fazer isso. Díficil precisar o quão útil está sendo a atual operação de países como os EUA, Reino Unido e França, que dominaram o espaço aéreo do país lançando bombas para enfraquecer o exército de Gaddafi... este, por sua vez até então havia bombardeado diversas cidades para conter os rebeldes, matando milhares de civis. É hilário ver hoje o ditador chamando a comunidade internacional de nazista, sendo que nem Hitler lançava bombas contra o seu próprio povo.. Gaddafi conseguiu o incrivel feito de ser mais cruel que um nazi. 

Mas infelizmente... ele não é o único contraditório nessa história. Por que as nações do ocidente aceitaram e até apoiaram por tanto tempo ditaduras no mundo árabe e nada fizeram? E agora, com o discurso de proteger os civis líbios, invade como se tivesse sempre defendido a democracia e a liberdade. Não defendia.... pelo menos não para esses países. Os americanos são aliados de vários governos anti democráticos, como o governo de Iemen, Bahrein, Arabia Saudita e Egito, já derrubado.. não só os americanos como outros países que se dizem exemplos de democracia. Silvio Berlusconi da Itália até pouco tempo era muito amigo do Gaddafi, Israel que se diz o país de liberdade no Oriente Médio, chora amargurada a queda desses regimes totalitários; Lula recentemente, já depois de deixar a presidância, fez um discurso em um congresso da TV Jazeera, do Catar - um país movido a petrodólares governado por um rei a quase 16 anos no poder - falando bem da democracia e da sua importância, logo após chamar o rei do país de "meu amigo".. Lula era também fiel "companheiro" de Hugo Chavez e do próprio ditador líbio. 

Contraditório, não? O mundo ocidental não fez vista grossa para um modelo de governo de considera inapropriado ( como se espera ).. e sim deu-lhe apoio, suporte, para assim ter os seus interesses garantidos. Repetindo.. já que assim foi, por que intervir tão tardiamente? Parece um grande exemplo de solidariedade invadir o espaço aéreo libio para proteger seus cidadãos, mas temos que nos lembrar que Gaddafi não era mais alinhado aos interesses internacionais e sua derrubada era desejada... se a mesma atitude de um ditador de atacar civis fosse tomada num país "alinhado", fica a dúvida se a posição do resto do mundo seria a mesma. Deveria ser... afinal um massacre nunca deve ser bem visto, mas sabemos o quanto a mídia é manipulável... Em vários outros países árabes hoje o povo já está sendo contido na força bruta, inclusive na morte, mas a imprensa não dá tanto destaque e apresenta os fatos de um modo bem menos crítico. O mundo continua mergulhado na grande contradição entre a força da ideologia e dos interesses econômicos.. todos sabemos que é o segundo que prevalece, mas parece que a propaganda para o primeiro continua forte. Seria hora de finalmente uma posição compreensível e sem ambiguidade para podermos entender qual é a real posição de um país que dá plena liberdade a seus cidadãos.. o que é admirável, mas apóia que outro país subjulgue e reprima seu povo, o que é totalmente deplorável.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Urbanismo: Questão deixada de lado no Brasil - I

O que é exatamente urbanismo? A definição do wikipédia é a seguinte: "Urbanismo é a disciplina e a atividade relacionadas com o estudo, regulação, controle e planejamento da cidade (em seu sentido mais amplo) e da urbanização."

Quando se fala na qualidade de vida de uma cidade, não se pode falar apenas de aspectos que passam paralelos como nível de renda, estudo e etc. É preciso também se falar em planejamento urbano, em todas as suas instâncias. Seja ela no zoneamento das ruas, seja na arborização e  limpeza das vias, infra estrutura, na regulamentação de obras que não agridam a paisagem e não comprometam a infra estrutura local, além de tentar estimular projetos arquitetônicos mais arrojados, que enriqueçam a cidade. No Brasil, essa idéia ainda é um tanto vaga e pouco difundida, mas está inconscientemente na cabeça das pessoas. Quando você vai a um bairro mal urbanizado, sujo, você imediatamente tende a se sentir desconfortável, aquela visão inicial é extremamente desagradável... claro que com o tempo as pessoas vão se adaptando e se familiarizando com o espaço e a partir daí, passam a notar novos aspectos e peculiaridades locais que uma visão de "turista" não consegue captar, mas esse debate é melhor deixar com o Yi-Fu Tuan hehehe...

Felizmente no Brasil existem algumas cidades planejadas como Curitiba ou Maringá que são, teoricamente, exemplos a serem seguidos no Brasil... . Ambas têm o traçado planejado e são fartas em parques e áreas verdes, mas nem essas duas conseguiram chegar ao que se vê em muitos lugares fora do Brasil, embora sejam bastante acima da média do nosso país... primeira qualidade urbana no Brasil se limita a ruas ou no máximo em raríssimos bairros como Copacabana, mas nunca a uma cidade inteira. Urbanismo é também transporte eficiente, asfalto, calçadas bem conversadas e padronizadas e até aterramento de fiação dos postes. Pra exemplificar, peguei uma foto de duas avenidas próximas em nível de renda - renda média alta - no Rio de Janeiro, porém em uma delas a fiação é aterrada e na segunda não:

                                Av. N. S. de Copacabana

                                Rua São Clemente - Botafogo

Então, qual é a mais agradável? Acho que 99% das pessoas vão achar a primeira, não só pela ausência de fiação elétrica, mas também pela qualidade das calçadas. Na Av. N. S. de Copacabana elas são largas e homogêneas, já na rua São Clemente a calçada é apertada e variada - vai mudando de prédio para prédio - o que pode parecer bem menos agradável visualmente. Infelizmente mais que 90% das ruas no Brasil estão muito mais para a segunda rua ou bem pior do que para a primeira. Agora olhem a rua Voluntários da Pátria, no mesmo bairro de Botafogo, esta já passou por obras do programa Rio Cidade, foi totalmente remodelada e modernizada:


Então, sem comparação, não é mesmo? Embora discutir urbanismo seja muito mais do que falar de postes. Ainda gostaria entrar na questão Brasil x Exterior, que é o lado que ainda me deixa mais decepcionado, além de muitas outras questões que eu considero que fazem muita diferença em uma cidade. Fica para a parte II que postarei em breve!

quinta-feira, 10 de março de 2011

A pobreza nos países desenvolvidos

Miséria todos nós sabemos o que é, é aquele nível de vida onde não há dinheiro sequer para se ter uma casa e a pessoa mal tem condições de se alimentar, é aquilo que julgamos pobreza extrema e é a situação que deve ser combatida com mais vontade pelos governos ao redor do Mundo. Mas e pobreza? Você, como brasileiro, pode dizer que pobreza é morar numa comunidade, em um "casebre" com um ou dois cômodos, com alguns móveis e eletrodomésticos.. mas a pobreza é bem mais relativa que a miséria. Ser "pobre" varia de país para país e isso também influencia nas estatísticas. Nos EUA, por exemplo, existe uma linha de pobreza específica, onde se encontra em torno de 12% dos norte americanos. No Brasil, a linha de pobreza é definida por outros critérios levando em conta a realidade brasileira ( apesar de existir também um padrão considerado pela ONU ), e considera-se que cerca de 30% dos brasileiros estão abaixo da linha de pobreza... há quem diga que se mesmo o padrão de pobreza usado nos EUA fosse usado no Brasil, cerca de 75% dos brasileiros seriam considerados "pobres", mas se este dado procede ou não, eu não sei dizer.

De qualquer forma, existem pessoas marginalizadas e bairro degradados e violentos na maioria dos países ricos, a única diferença é que estes não são tão numerosos e a miséria mesmo encontra-se em níveis bastante baixos e o governo costuma dar algum tipo de apoio a esta camada social... portanto, programas de transferência de renda como o bolsa família não são exclusividade do Brasil e, na minha concepção, são validos para o grupo que é atendido, se realmente os beneficiados forem pessoas que passam fome e sem quaisquer perspectiva. Voltando ao assunto anterior, existem bairros pobres e degradados nos países ricos - nos países pobres e emergentes seriam considerados bairros ruins, mas por lá são de fato, os piores e mais degradados - que também são esquecidos pelas autoridades e da mesma forma sofrem com carência de serviços públicos, desvalorização imobiliária e marginalidade. 

Gostaria de exemplificar com a cidade mais pobre dos Estados Unidos. Chama-se Camden e fica no estado de Nova Jersey. Segundo o site city-data.com, sua população atual é de 78 mil habitantes, e a renda média por pessoa por ano é de US$ 12.808, ou US$ 1.067 por mês. Levando em conta o custo de vida nos EUA e renda média dos americanos, a cidade é considerada muito pobre. Outro dado curioso é que 45% da população da cidade é afro-americana e 43,6% é considerada hispânica ( descendentes de mexicanos, porto-riquenhos e outro latinos em geral )... só 5,3% da população da cidade é branca, demonstrando que a desigualdade racial ainda se apresenta de forma considerável na sociedade norte-americana. Sem mais delongas, apresento-lhes Camden, NJ:

O pequeno centro da cidade é bem urbanizado e arrumado em sua maior parte, sendo parecido com o downtown de qualquer cidade comum nos EUA:




Mas é só afastar do centro em um ou dois quarteirões que o nível de vida muito baixo e a decadência começam a aparecer:




É isso, diria que viver assim nos EUA equivale a morar na favela da Maré ( RJ ) ou em Heliópolis ( SP ), no Brasil. O conceito de pobreza, sem dúvida, é diferente... mas as deficiências, a decadência, abandono e a criminalidade estão presentes em ambos os locais. A diferença é que os respectivos bairros no primeiro mundo são mais ricos... ou melhor, menos pobres; não é a toa que são ficam em países ricos.

Água, Combustível do Mundo

Pessoal, desculpe pela demora a atualizar o blog, é que com todos os feriados acabei me desligando um pouco das questões abordadas aqui, mas prometo retornar a postar com freqüência. 

O tema "água" e como trata-lá e resguardá-la vem ganhando cada vez mais uma importância nas discussões relativas a preservação, novos modos de vida, reaproveitamento e economia. O fato é que, hoje vemos o maior bem da Terra com uma importância maior do que sempre se viu, sua abundância tão incomensurável sempre fez com que pensássemos que a agua nunca acabaria ou deixaria de nos servir como sempre servira. Atualmente, numa evolução desse pensamento, já falamos em racionamento, em evitar desperdícios e até em reutilização e dessanilização. Sim, esta ultima faz todo o sentido né, é um processo que retira o sal e outras minerais da água do mar e transforma essa água em potável. Não poderia ser mais genial, pois segundo o Atlas National Geographic cerca de 97,5%  de toda água do mundo está nos oceanos, é salgada ( indisponível para consumo humano ). Países secos e desérticos, com recursos econômicos razoáveis ( pois o mecanismo ainda é caro ) como Israel já adotam esse processo para prover H2O limpa a sua população. 

Já o processo de reutilização é milenar, afinal quando se capta água da chuva para consumo próprio, se está reaproveitando uma água que já completou todo o ciclo de evaporação e precipitação, garantindo o sustento através da agricultura e a sobrevivência de populações ao redor do Mundo por séculos, mas este processo hoje ganha uma característica ainda mais refinada... Foram desenvolvidos processos de purificação da água super modernos, que podem fazer aquela inunda da sua privada se transformar naquela límpida que saí do seu filtro kkkkkk Apesar do tom de brincadeira e de parecer nojento, isso pode se tornar cada vez mais comum... mas não se preocupe tanto se você mora no Brasil, afinal ainda temos a maior reserva de água doce do Mundo. De qualquer forma, é bom termos consciência de que os tempos são outros e não dá mais para poluir rios e lagos, além de aquíferos, grandes reservas subterrâneas de água doce que fazem brotar rios e tornam possíveis poços artesianos na superfície.. Esta é a forma de abastecimento mais barata que o ser humano pode possuir, além de garantir a manutenção da biodiversidade e a estabilidade do clima, pois como se sabe, é a quantidade de água na superfície que define a quantidade de evaporação, chuvas e assim por diante.

Mas.. voltando aos métodos modernos de reutilização da água, uma vez assisti a um documentário no Nat Geo que falava justamente dos planos da NASA em criar uma base permanente na Lua ( coisa pra daqui a 10 ou 15 anos ), e como faria para garantir que uma pessoa sobreviva lá; o projeto prevê reaproveitar 90% da água utilizada, dando-lhe diversas funções, desde seu uso na cozinha, até a higiene pessoal. Novamente.. estranho não? Mas se não for utilizada uma refinidada tecnologia de purificação da água, os custos se tornariam mais exorbitantes numa ainda utópica vida na Lua. Voltando ao nosso Planeta, é interessante destacar também que - novamente segundo a National Geographic - 69% da água utilizada pelo homem se dá em processos agrícolas... outra questão que devemos levar em conta se quisermos reduzir o desperdício, começar pelo campo, mas como? É meio impossível diminuir o consumo de água sem reduzir a produção ou piorá-la, então nada mais justo que se dê um freio na super população da Terra e no consumo, que só tende a aumentar. Pode parecer uma visão exagerada, mas já existe uma população suficiente no planeta e problemas socio econômicos também suficientes; um controle de natalidade seria bem visto ou pelo menos uma política de convencimento a se ter menos filhos nos países mais pobres e com problemas em relação a água; a pobreza e a fome estão intimamente ligadas a seca, são duas questões complementares que agravadas pela desigualdade social e ausência de investimentos, se transformam em algo muito díficil de se solucionar. 

A água é o fator condicional para manter a vida, humana ou animal, em qualquer parte do Mundo, além de ser um diferencial econômico muito importante para qualquer país... ninguém quer depender do outro para ter esse bem tão precioso, todos querem garantir suas próprias reservas. Para que não hajam conflitos maiores em relação a isso temos que aliar melhor distribuição com infra estrutura, novas tecnologias de reutilização, economia ( parar de ficar lavando o carro por meia hora com a mangueira ligada ), dessanilização ( para países desérticos ou semi desérticos ), além de medidas de despoluição de rios e lagos e tratamento de esgoto nas cidades/campo e até controle populacional. Com todas essas medidas, ainda teríamos água para milhões de anos sem nos preocuparmos e a biodiversidade do planeta agradeceria.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Angola - O Tigre Africano?

Algum tempo atrás saiu uma notícia afirmando que Angola, um país africano arrasado pela fome e guerra até 9 anos atrás tinha sído praticamente o recordista em crescimento econômico na última década; a economia do país teria crescido acima dos 10% ao ano. Até 2002, Angola vivia uma complicada guerra civil que ocorria praticamente desde a independência do país de Portugal, em 1975.

Comum em países africanos, várias tribos inimigas disputavam o poder em um território composto por várias etnias diferentes... nessa época, a maioria dos portugueses já haviam abandonado a ex-colônia. Com o fim de guerra civil, que deixou pelo interior da nação varias minas terrestres que fazem vitimas até hoje, abriu-se caminho para o investimento estrangeiro, Angola é muito rica em petróleo. Estados Unidos, Portugal, Brasil e principalmente a China, viram no país uma possibilidade de investimento muito lucrativo... São construídos novos prédios comerciais, condomínios e mais condomínios fechados para abrigar os profissionais que vêm de outros países para trabalhar na coordenação do setor petrolífero e de construção, enquanto os habitantes africanos majoritariamente fazem os serviços que pagam mal, na base da hierarquia. Não que não haja uma elite e uma classe média nativa em ascensão, com angolanos de fato melhorando socialmente, mas nesses condomínios citados, por exemplo, a segregação fica bem clara. Os chineses têm seu espaço próprio, onde só estes podem viver ali.. em geral o tamanho de suas casas variam com o cargo ocupado, existindo também um refeitório para todos que habitam o local, onde da mesma forma trabalham apenas profissionais chineses. Com os funcionários norte americanos ocorre o mesmo, vivendo em condomínios murados só deles.

Por enquanto, praticamente só a capital do país, Luanda, viu uma grande transformação no seu espaço urbano; por lá surgem novos e modernos edifícios - inclusive a empresa brasileira Odebrecht vem investindo pesado em Angola -  os carros circulando são, em geral, modernos, aparecem novos projetos de shoppings centers e um estágio de futebol de primeiro mundo, além desses condomínios de classe média citados, sendo eles de estrangeiros ou não. Apesar disso, até então, pelo menos 60% - talvez mais - da cidade seja composta de favelas e o nível de violência é bastante acentuado, num país que agora vê o nascimento de novas classes mais abastadas com a maioria da população ainda vivendo na pobreza.

De qualquer forma, hoje Angola é a terceira economia lusófona - de países que falam português - depois do Brasil e Portugal... sendo uma nova fronteira inclusive para brasileiros formados no ramo da engenharia e do petróleo, garantindo-lhes excelente remuneração. Nos resta esperar para ver a situação de Angola em 10 ou 20 anos caso o país mantenha seu crescimento econômico entre os maiores do Mundo, sendo maior que o crescimento atual dos Tigres Asiáticos. Atualmente, a maior parte da população ainda vive na pobreza e miséria, mas com as transformações poderemos ver até uma abertura democrática do país, que é governo pelo mesmo ditador desde 1979, uma ascensão social considerável - apesar dos estrangeiros abocanharem uma parte disso - e, infelizmente, um provável aumento da desigualdade social.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O virtual que transforma as relações concretas

Já estava a algumas semanas - como até citei numa postagem anterior - com vontade de criar um tópico pra falar especificamente de assuntos voltados ao universo da internet e da inclusão digital e claro, fazendo um paralelo para os temas costumeiramente abordados pelo blog. 

Primeiro, gostaria de destacar como os laços de amizade e relacionamentos amorosos estão se construindo no mundo da web, mundo que até 1995 praticamente não exisitia ou se limita a um grupo muito específico da população. A internet explodiu com uma velocidade absurda e mudou a configuração da sociedade moderna, suas formas de relação e organização. Estava vendo o programa "Entre aspas" no Globo News dia desses e me deparei com uma discussão que tem muito a ver com isso, num campo até mais amplo. A internet, através de pc's, mensagens de celulares e outros aparelhos de comunicação relativamente recentes está mudando e tornando muito mais veloz a forma de se fazer revolução e mudar histórias políticas de países. 

Um exemplo extremamente recente é o Egito...  foi através de sites de relacionamento como o Facebook, twitter e programas como o Msn possibilitando uma troca extremamente rápida de informações pelo país que foi muito mais fácil em pouquíssimo tempo inserir ideologias e organizar e promover protestos com um número muito grande de manifestantes que depois de 18 dias sangrentos derrubaram o presidente e ditador a 30 anos no poder, Hosni Mubarak. É claro que toda moeda tem dois lados, e a partir da internet fica bem mais fácil ao governo rastrear e perseguir os opositores. Mas...a troca de informações rápidas virtualmente é uma arma muito mais poderosa que qualquer ditador de meados do século XX poderia ter contra ele. Não adianta nem tentar cortar tudo isso, como fez o governo egípcio ao acabar com os sinais de celular e de internet: primeiro por que o circo já estava pegando fogo e a ideologia revolucionária já tinha sido espalhada entre a população, segundo por que existem maneiras de burlar virtuamente todos as barreiras colocadas pelo governo - dando o exemplo colocado pelo especialista no programa - como via telefone, através de uma ligação internacional, estabelecendo assim uma conexão através de outro país. Por tais motivos, um processo de revolução que antigamente duraria meses, hoje dura apenas 18 dias ( e com muita relutância do presidente em sair, pois na Tunísia ocorreu o mesmo e o outro ditador arrumou as malas em menos tempo ainda )...

O fato é que a partir de agora, com o Mundo mais globalizado do que nunca e a troca de informações acontecendo entre os quatro cantos do planeta em tempo real, fatos como esse vão se tornar cada vez mais frequentes, facilitando um pouco mais os governos de achar seus opositores ( o que também não será fácil, pois estamos falando de milhares de pessoas ), mas também colocando o povo numa ligação de intensidade jamais vista e propiciando revoltas populares de resultados muito mais rápidos e mudanças históricas cada vez mais intensas em espaços de tempo cada vez melhores. 

A internet mudou completamente a história, fazendo dela algo muito mais rápido, fazendo cada único mês ou ano ter uma riqueza de fatos relevantes muito maior que outrora... A internet e toda a tecnologia que temos hoje. As guerras são outro exemplo.. O conflito no Iraque ainda existe, mas a guerra oficialmente como acontecia antes, com bombas e batalhas entre exércitos que começou em 2003 se deu em apenas 3 meses. Foi preciso apenas 3 meses de Guerra para que os EUA dominassem totalmente o Iraque. E haja vista também a capacidade de destruição bélica atual, fica bem claro que numa outra eventual guerra, tudo ocorreria num processo extremamente rápido e de igual destruição que se dava antes em alguns anos ou décadas. O mundo ficou pequeno para as capacidades humanas atuais, a aviação cada vez mais se expande e atinge recordes de passageiros no decorrer dos anos, trêns de alta velocidade percorrem países continentais como a China e continentes inteiros como a Europa a 400 km/h. Nenhum lugar é longe demais, nenhum governo é impossível de ser derrubado.... 

Isso que é o interessante do mundo moderno em que vivemos, cada indivíduo tem uma participação muito maior na sociedade, qualquer um pode ser celebridade, é só colocar um video no youtube ( kkkkk ), nos resta agora usar todas essas novas ferramentas para promover a melhoria da sociedade, sanando questões relevantes e buscando o bem comum, pois tudo tem dois lados.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

"Entre les murs", vencedor do Festival de Cannes ( 2008 )


Ontem tava meio de bobeira no pc quando lembrei de um filme que estava na pasta de downloads mas que ainda não tinha visto. "Entre les murs" ou Entre os muros da escola, na tradução para o português, é um filme francês que conta um pouco da realidade de alunos, pais e professores em numa escola de um subúrbio pobre de Paris. Ali estudam árabes do norte da África, africanos negros, chineses e franceses brancos, uma mistura étnica que vem caracterizando muitos bairros de menor renda da capital francesa nas últimas décadas. 


É interessante como o filme aborda conflitos e mazelas  passadas ali dentro. Alunos filhos de imigrantes que pouca perspectiva têm para si, não gostam da instituição escolar, são contra regras e métodos de aprendizado, fazendo-se uma indagação através das cenas e diálogos do que realmente deve ser ensinado. Na verdade, quando os alunos diziam que aprenderam algo ao professor e este perguntava para que serve o que aprenderam, a resposta era: "Sei lá, mas se a escola ensinou, deve servir pra alguma coisa". Outra coisa que deu pra notar foi o choque cultural presente na França contemporânea, com alunos vindos de famílias tribais africanas ou de regiões de cultura muçulmana. Suas famílias são muitas vezes desestruturadas e não falam francês fluentemente, ficando difícil até conversar com pais de alunos em uma reunião de pais.

O desinteresse, na verdade, impera na maioria das escolas do Mundo de países pobres ou ricos, com alunos problemáticos pois sua família não dá suporte e a escola é a válvula de escape. Alunos são expulsos de instituições, mas para onde vão? Para escolas piores ou param de estudar... literalmente há perda de cerébros. Casos de bullying vão ficando cada vez mais freqüentes e não há qualquer apoio institucional, a maioria dos professores e coordenadores fazem vista grossa. Então aí vai a minha crítica: Será que não era hora de remodelar tudo isso? Conciliar disciplinas indispensáveis com tarefas de interação que atraiam o aluno e lhes disperde mais o interesse e a criatividade. O ideal seria que as aulas fossem mais um seminário do que simplesmente despejar informações, trocar informações é muito mais produtivo e foi o que fez o homem progredir nesses milhares de ano de evolução. Enfim... o assunto é muito mais complicado e discutível para ser resumido numa postagem de blog, mas recuperar um aluno que vem de um histórico tão desestruturado e de uma vivência de sofrimento é muito mais complexo do que simplesmente lhe ensinar português, matemática, história e geografia. 

Cabe as escolas saber qual é o seu verdadeiro papel... formar cidadãos? Selecionar cérebros bons e ruins? Recuperar e demonstrar valores sociais que a família não ensina? É complicado, professores não são super heróis, mas a sociedade e o estado tem que se fazer presente onde impera a desordem social, começando no berço.. pois é a partir da escola que se muda toda uma ordem, a Coréia do Sul está aí para nos provar isso. Caso contrário, o efeito é multiplicador e pode ser desastroso para a própria sociedade.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Se passou a primeira década do século XXI - Parte III

Para completar, gostaria de falar de alguns aspectos relevantes fora do âmbito geopolítico global.

O primeiro seria a música. Bom ou ruim, dois ritmos ganharam muita força no cenário brasileiro: O funk e o hip hop. Chuvas de MC's hauhaahaua, principalmente no Rio de Janeiro, fizeram do ritmo de origem popular uma febre até em camadas abastadas da sociedade. Agregado a ele, infelizmente, algumas vezes menções de apologia ao tráfico de drogas e apelo sexual com diminuição ou mulher como objeto sexual, figurações não muito diferentes do Hip Hop. O estilo norte americano invadiu as rádios brasileiras com muita força na última década.. cantores como Rihanna, Ne-yo, Jay-Z, Beyoncé, Eminem, T.I., Jay-Z, Chris Brown ( poderia escrever umas 10 linhas kkkk ) .... viraram febre entre os adolescentes e até alguns adultos. No ritmo, se vêm muitos clipes suntuosos com Lamborghinis, Porches... muito luxo e ostentação, além de espetaculares mulheres cercando "o cantor" coberto por outro, prata e roupas folgadas. Outros nomes de destaque na década, digamos, foram bandas/cantores como Coldplay, Lady Gaga, Shakira ( que cantou na abertura da Copa do Mundo de 2010 ), Nickelback e The Killers, este último em especial eu gosto muito. Além, é claro, do ritmo mais odiado por muitos e mais amado por alguns, o emotional hardcore, ou emo. kkk Não só presente na música, a moda emo tem um estilo de vida próprio, com cabelo, roupa e até jeito de ser e escrever no msn diferenciado, "mAiX ouU MêNuX axinNn dEsSí JEíToôh XD :P"... Brincadeiras a parte, a moda vinda dos EUA ganhou força no Brasil na década de 2000, principalmente entre os pré adolescentes e adolescentes, com bandas como NXZero ou Fresno.

Para o lado da tecnologia pode-se destacar, entre tantas e tantas novidades, o avanço e a democratização do acesso a Internet pelo Mundo todo. Só para se ter uma idéia, segundo pesquisas da ONU, em 2001 haviam cerca de 8 milhões de usuários de internet no Brasil ( eu já era um deles \o/  ) e em 2008 o número já chegava a cerca de 72 milhões de usuários, em 2010 provavelmente mais ainda . Ou seja, 9 vezes mais em apenas 7 anos. Mas essa questão da internet no Mundo merece uma postagem só pra ela. Outra dado interessante foi o de países pelo mundo que se "emanciparam" nessa década, ou seja, ficaram independentes. Excluindo-se os parcialmente reconhecidos mas já autônomos, nasceram 2 novos países, Timor Leste e Montenegro ( o caçula ). Embora algumas vezes seja muito complicado definir se um país é de fato independente ou não, como acontece na Palestina ( não reconhecida por Israel ) ou Taiwan ( não reconhecido pela China ).

Falando em China, esta foi um dos destaques dos anos 2000. O que era um país bastante pobre a 20 anos atrás, despontou com recordes de crescimento econômico e recentemente se transformou na segunda maior economia do Mundo. Claro, ainda não tem o padrão de vida dos países desenvolvidos, inclusive por aqui no Brasil ainda se vive melhor, mas por lá vem ocorrendo um enriquecimento absurdo em um espaço de tempo bastante curto.

Outro fator que se destacou foi o avanço da medicina e biologia. No ano passado inclusive foi anunciado o desenvolvimento de um ser vivo em laboratório ( isso mesmo ! ... http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/cientistas-criam-vida-artificial-laboratorio-561878 ). Os cientistas conseguiram mapear todo o DNA de uma bactéria específica ( o que levou cerca de 15 anos, mapear o genoma humano levaria infinitamente mais tempo ) e conseguiram reproduzir artificialmente em computador o DNA desse microorganismo, "sendo a primeira bactéria viva capaz de se reproduzir com genoma artificial". Algo com certeza inimaginável a algum tempo atrás.
É isso, claro que ainda falta falar de muita coisa, mas 10 anos é muito tempo e abordar tudo ( que é difícil até mesmo de lembrar ) tomaria centenas de parágrafos. Agora nos resta esperar o que a década de 10 do século XXI reserva ao Mundo.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Se passou a primeira década do século XXI - Parte II

Fica aqui a continuação do tema abordado anteriormente..
Na linha do tempo, agora vamos pular para 2009..
- Neste ano, para fechar a parte das notícias trágicas, podemos destacar a triste queda do avião da Air France Rio - Paris com 228 pessoas a bordo no dia 1 de julho.

- Algumas meses antes, acontecia também um fato único nos EUA: em janeiro Barack Obama toma posse. O primeiro presidente não branco do país assume com uma grande responsabilidade, conter a enorme crise econômica instalada no país e no mundo em outubro de 2008.

- A Crise Econômica de 2008 ( ou crise do subprime ):  A bolha imobiliária de créditos ilimitados para imóveis nos Estados Unidos - falando de uma forma bem abreviada - gerou uma grande taxa de inadimplência, num efeito bola de neve, com perdas de capital em bancos e instituições de investimento, se propagando a todos os setores da economia e internacionalmente. Os EUA até os dias de hoje estão com problemas de alto desemprego.. na Europa as conseqüências foram ainda piores, apesar dos sinais de lenta recuperação econômica hoje na maioria dos países. O Brasil, em consequência da crise sofreu uma leve recessão em 2009, mas se recuperou e voltou a crescer com força em 2010.

Continua..